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Mais uma aluna Assassinada!


Prof. Chico Gretter*


O drama se repete: aluna assassinada em escola!

Mais um aluno, ou melhor, uma aluna foi morta por arma de fogo numa escola de nossa cidade! Este triste fato que se repete não é de graça e possui causas mais amplas e profundas. Além da pobreza que agride grande parte da população, além da desintegração familiar e da crise de valores, precisamos nos lembrar que nos últimos anos os fascistas, bolsonaristas e o tal "Escola sem partido" fez uma campanha nacional contra os professores que adotam uma linha progressista e crítica na educação; o foco desses ataques foi desprestigiar de forma mentirosa a figura de Paulo Freire que foi acusado de ter provocado a piora na qualidade de ensino, quando na verdade foram a desvalorização dos educadores e da escola pública que ocasionou isto!

Mas eles ainda ainda continuam ativos com sua máquina de “fake news” e seus ataques às instituições democráticas e às ciências; há no Congresso projetos de lei para retirar de Paulo Freire o título concedido por aquela Casa de "Patrono da Educação Brasileira". A deputada Luísa Erundina - PSOL/SP fez um vídeo fazendo a denúncia desses projetos e pedindo mobilização dos professores contra mais este absurdo.

O desrespeito e a violência nas escolas e contra os professores/as é um reflexo da ideologia conservadora e reacionária que culpa os educadores pelo fracasso das sucessivas "reformas" neoliberais e neotecnicista! Sabemos que a principal causa da baixa qualidade do ensino/aprendizagem no Brasil é outra e se relaciona com políticas deliberadas de desvalorização do magistério e destruição da escola pública para que as terceirizações e privatizações ocorram, conforme a cantilena das fundações empresariais da educação, o "todos pela educação", com apoio direto da grande mídia neoliberal.

Há certamente outras causas do fracasso da educação no Brasil, mas consideramos que essa política deliberada de desvalorização da educação pública é a principal. A partir disso, dessa desvalorização, precarização e mal formação dos professores, a figura do professor passou a ser desrespeitada diuturnamente, tanto nas escolas como na grande mídia, embora hipocritamente digam o contrário e nos prestam hipócritas homenagens no “Dia do Professor”. Não precisamos de flores no dia 15 de outubro, exigimos, sim, respeito, condições de trabalho dignas e o pagamento do piso salarial nacional para todos, que o Estado de São Paulo não paga!

Quanto a mais esta triste morte da aluna, se forem enviar psicólogos para dar atendimento aos alunos, professores e comunidade escolar, perguntamos por que o projeto de lei aprovado na ALESP para que cada escola tenha uma profissional de Psicologia para dar suporte e ajudar no atendimento de casos mais agudos que surgem no cotidiano escolar foi vetado pelo governador Tarcísio de Freitas? Para onde foram os Professores Mediadores que existiam? Por que diminuem os agentes escolares e terceirizam funções que são também pedagógicas nas escolas estaduais?

Lamentamos a morte de mais um aluno, no caso uma aluna, morta por um colega armado, que não foi para a escola a fim de estudar, mas para matar! Será que a apologia às armas feita pelo último governo federal, a facilitação na compra de armas e munições pelo cidadão comum não tem colaboração nesta escalada de mortes por armas de fogo? Em vez de melhorar a segurança pública, governos ligados à mentalidade militarista e fascista apostam na segurança privada com base na falácia de que “o cidadão tem o direito de se defender”! Argumento sofista em prol da indústria de armas!


Todavia, não serão promessas vãs na grande mídia que este governo irá resolver o grave problema da violência nas escolas, mas investimentos substanciais na melhoria das condições de trabalho e funcionamento das unidades escolares, da volta do “Escola da Família” aos finais de semana, com investimento em infraestrutura e pessoal do quadro de apoio escolar bem preparado e remunerado.

Mas como combinar tudo isso com o projeto de lei do atual governo Tarcísio de Freitas que pretende retirar 5% do orçamento da educação, baixando de 30% para 25%? Como entender e aceitar a perda de verbas na educação quando faltam recursos para o atendimento de necessidades básicas como mostramos acima. Como repete um ex-jogador famoso em seu programa desportivo diário: “Este governo está de brincadeira!?”

Expressamos aqui, aos educadores, amigos e familiares, nossos pêsames pela aluna morta; e deixamos também nosso alerta e protesto por esta situação inaceitável de violência e desvalorização da educação pública, dos direitos da pessoas humana e dos educadores em geral.


“Livros sim! Armas não” (APEOESP)


São Paulo, 23 de outubro de 2023 -


*Prof. Chico Gretter - 35 anos em sala de aula, mestre em Filosofia e História da Educação, presidente da APROFFESP!

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