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Mulheres de São Paulo contra o Governo Tarcísio

Neuza Aparecida de Oliveira Peres***


São Paulo vive uma escalada alarmante da violência contra as mulheres. Os números são contundentes: apenas nos três primeiros meses de 2026, foram registrados 86 feminicídios (aumento de 41% em relação a 2025). Em todo o ano anterior, 270 mulheres foram assassinadas (quase o dobro dos 136 casos de 2021).


A tragédia se amplia quando observamos outros indicadores: os crimes de lesão corporal dolosa cresceram 47% entre 2022 e 2026, e os estupros de vulnerável aumentaram 22% no mesmo intervalo. Esses dados, divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e repercutidos em veículos como Folha de S. Paulo e G1, escancaram a incapacidade do governo em conter a violência de gênero.


A crise se agrava diante da destruição das políticas públicas voltadas às mulheres. Em 2025, Tarcísio reduziu em 54,4% a verba destinada às políticas específicas, inviabilizando programas de proteção e apoio. O resultado é um investimento vergonhoso: apenas R$ 0,18 por mulher paulista para garantir vida e segurança. As Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), que deveriam funcionar 24 horas, seguem ausentes nas periferias, deixando justamente as mulheres mais vulneráveis sem atendimento especializado em momentos de emergência. Essa ausência de estrutura não é mero descuido, mas a expressão de um projeto político que desconsidera a vida das mulheres como prioridade.


Na educação, o ataque é direto à formação crítica das juventudes. A redução drástica das aulas na área de humanas compromete a capacidade de questionar e romper os pilares de uma sociedade machista, misógina e patriarcal. Sem esse espaço de reflexão, perpetuam-se estereótipos e desigualdades, e as meninas continuam sem acesso a uma educação que as prepare para enfrentar e transformar essa realidade. Não há políticas consistentes para combater a evasão escolar feminina nas periferias, nem programas robustos de formação profissional que assegurem igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.


Na saúde, o descaso é gritante: mulheres enfrentam filas intermináveis para consultas ginecológicas e pré-natal, hospitais públicos não oferecem estrutura adequada para vítimas de violência sexual e programas de saúde reprodutiva seguem negligenciados, sem políticas que assegurem acesso a métodos contraceptivos e acompanhamento integral.


Na segurança, o governo prioriza apenas o combate ao crime organizado, ignorando que o feminicídio e a violência doméstica são tragédias diárias. Casas-abrigo são insuficientes, delegacias especializadas carecem de recursos e os programas de proteção às vítimas são frágeis. Os números crescentes de feminicídios, estupros e agressões mostram que a vida das mulheres, neste governo, não é prioridade.


Diante desse cenário, a frase “Tarcísio, Inimigo das Mulheres” sintetiza a percepção de que sua gestão é negligente em proteger, educar e cuidar das mulheres. Não se trata apenas de omissão, mas de uma política que invisibiliza nossas demandas e nos deixa totalmente vulneráveis.


As feministas do estado de São Paulo, de diferentes regiões e tradições políticas, articulam-se mais uma vez para denunciar os impactos das medidas implementadas pelo governo Tarcísio de Freitas sobre a vida das mulheres. Essa mobilização não é circunstancial, mas parte de uma trajetória histórica de resistência que busca revelar como determinadas escolhas governamentais produzem efeitos concretos de vulnerabilização e exclusão. Ao se posicionarem coletivamente, essas mulheres expõem a dimensão estrutural da violência de gênero e a ausência de políticas públicas capazes de assegurar condições mínimas de dignidade e a segurança da nossa própria vida.


A composição desse movimento é plural e traduz a diversidade social do estado: mulheres negras, jovens, idosas, mães, lésbicas, trans, militantes de diferentes movimentos sociais. Essa heterogeneidade é, ao mesmo tempo, força e síntese da realidade paulista. O que nos une é a constatação de que, ao longo dos quatro anos de governo Tarcísio, houve um aumento significativo dos feminicídios e uma completa insuficiência de garantias institucionais para que as mulheres possam viver com liberdade e segurança. O que se observa não é apenas a omissão estatal, mas a reprodução de um modelo de gestão que naturaliza a violência e desconsidera a centralidade da vida das mulheres como prioridade política.


Foi justamente por isso que nós, mulheres de São Paulo, lançamos no último dia 18 de junho a Campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres”. O ato foi gigante, potente e histórico: inúmeras organizações de movimentos de mulheres se reuniram na sede central da Apeoesp, em São Paulo, e determinaram os rumos desta campanha.


A união de vozes em uníssono mostrou que não aceitaremos retrocessos e que estamos prontas para resistir e lutar por políticas públicas que coloquem a vida das mulheres no centro das prioridades do Estado.


Neuza Aparecida de Oliveira Peres - Presidenta ASSOCIAÇÃO PROFESSORES/AS DE FILOSOFIA E FILÓSOFOS/AS DO BRASIL-PROFFIB

 

 

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