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A pátria em liquidação

Há uma cena, que se repete na história, como uma velha tragédia que insiste em repetir-se, com novos figurantes: a daqueles que, na iminência da derrota, preferem incendiar a casa e entrega-las a quem se aprouver. Pois é, exatamente isso que testemunhamos hoje, com uma ponta de náusea, no teatro político nacional.


Chamemos as coisas pelos nomes, Há entre nós uma categoria de indivíduos – patriotários, para ser generoso – que, diante da possibilidade real de perderem as eleições, já ensaiam os primeiros passos de uma dança macabra. Oferecem o Brasil na bandeja, como quem se livra de um peso, para que potências estrangeiras venham “resolver” nossos problemas. É de uma vileza tão cristalina que chega a doer.


O curioso e o trágico, é que esses arautos da entrega nacional, parecem ter esquecido, as lições mais elementares da geopolítica. Ignoram, ou melhor fingem ignorar, que os países “salvos” por essas intervenções salvacionistas, não costumam guardar boas lembranças. Sobram escombros, miséria e aquele silêncio pesado, dos lugares onde a soberania foi sepultada. Mas isso, ao que tudo indica, é apenas detalhe. O que importa é o poder, mesmo que seja o poder sobre ruínas.


Vejamos o caso da proposta de classificar o crime organizado, como “terrorismo”. Não se trata aqui, de se defender marginais, bandidos. Que nos livrem dessa pecha. Trata-se de perceber a armadilha: ao aceitarmos essa chancela, entregamos a outros, a chave da nossa segurança nacional. É como se disséssemos : “… Já que não conseguimos resolver nosso próprio problema, com drogas – que, diga-se de passagem, ele também quase nada fizeram lá fora – venham aqui cuidar dos nossos …” É a soberania sendo colocada no balcão de liquidações.


E o pior, se é que se pode ser pior, esses crápulas não medirão esforços. Farão de tudo, absolutamente tudo, para que Lula não retorne. Porque sabem que, no fundo o retorno dele , representa não apenas uma derrota eleitoral , mas a derrota de um projeto de apagamento nacional. Representa a prova viva de que um povo ainda pode escolher seus próprios caminhos.


Ditadura nunca mais, sim. Mas ditadura de que tipo? Porque há ditaduras explícitas, com tanques nas ruas e, há aquelas mais sutis, que entram vestidas de salvação, com promessas de ordem e desenvolvimento, enquanto nos transformamos em protetorados. Essas são as mais perigosas: as que nos convencem de que entregar é o melhor caminho.


Fiquemos atentos. O Brasil pode ter muitos problemas, mas ainda é nosso. E, como toda casa habitada por gente simples, tem seus defeitos e virtudes, suas goteiras , suas contas atrasadas. Mas é nossa casa. E, enquanto houver um pingo de dignidade a ser defendida, não será entregue de mão beijada, a quem quer que seja, sob o pretexto de que, alguns destes moradores atuais, não aceitam perder a eleição.


Pois, no fim das contas, uma nação que abre mão de si mesma, já não é nação – é apenas um endereço esperando novos donos.


São Bernardo do Campo, 11 de Março de 2026.


James Prado Gondim


Jornalismo Livre !

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