Guerra burguesa e a harmonia de classes


Por:Maurílio Galdino***


Para as ciências políticas, não existe guerra popular. Toda guerra e golpe de estado é burguês, de cima para baixo, é uma briga entre as classes dominantes na esfera econômica e política. Quando os pobres fazem a guerra, nós chamamos isso de revolução. Depois da Revolução Francesa a burguesia e a Igreja pregam a democracia e a harmonia de classes contra a luta de classes.


O filósofo Baruch Espinosa foi o primeiro descobrir a força política das massas, mas ele tinha medo dos pobres desorganizados... Karl Marx não tinha medo de revolução e foi o primeiro filósofo a dar um valor positivo para massa revolucionária. Sua posição foi criticada pelos anarquistas, para quem toda revolução organizada é reforma. Mas para Marx, o Estado não negocia com indivíduos, só com instituições representativas. Com Lenin essa posição ficou mais clara: o inimigo é o estado e governo burguês e para ser efetiva, a massa tem que se organizar em sindicatos e/ou em partido político, com uma ideologia e uma orientação prática. No livro Teses de Feuerbach, Karl Marx sintetizou essa visão revolucionária em duas teses principais:

• Primeira tese: “O ser não é mais do que a existência”. Em política dizemos, “Diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és”... Se a massa anda com o patrão ela vota com o patrão, ela apoia a guerra burguesa.

• Segunda tese: “O pensamento dominante é o pensamento da classe dominante”. Toda guerra começa na organização das ideias. E o pensamento dominante da classe dominante é a liberdade liberal e a democracia representativa, sem povo.


Voltando para a guerra da Rússia contra a Ucrânia, o pensamento dominante dessa guerra se revela quando prestamos atenção na composição da classe dominante que dirige a ONU e a OTAN. Essa classe é composta principalmente pela elite branca da Europa e da América do Norte. Ela não faz guerras, ela usa governos marionetes para fazê-las. Essa elite branca também é majoritária na OMC e no FMI, assim como nos principais centros de inteligência, nas universidades e redes que controlam a comunicação, a arte, a cultura, como a FIFA e o Comité Olímpico internacional por exemplo.


Essa elite branca adora falar nas reuniões e congressos internacionais e tem um orgasmo quando visita zonas guerra e usinas nucleares. Elite super arrogante, ela chega dando ordens e exigindo obediência e democracia. Ela está por traz de todos os golpes de estado e adora humilhar e constranger governos locais quando ela está ganhando (mas é discreta quando está perdendo).


A guerra da Ucrânia também é burguesa e começou depois que o presidente Putin chutou o pau da barraca da OTAN. A elite branca levou um susto e agora os diplomatas da ONU e da OTAN estão abaixando o tom de suas ameaças e tentando segurar os loucos, que adoram guerra e apocalipse. O desafio agora será de convencer o presidente Putin e o presidente da Ucrânia que ninguém vai perder, que se obedecerem os burocratas da ONU e da OTAN, os dois vão sair ganhando.


* Maurílio Galdino, cientista político vivendo atualmente no Canadá.

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