AVENIDA PAULISTA: A VIDA, AS GERAÇÕES E A CONTINUIDADE DAS LUTAS.


VEJA O INTEIRO TEOR
Aldo Josias dos Santos***
Uma fotografia, uma família e uma trajetória de militância política que atravessa gerações. Entre a memória das lutas e a esperança no amanhã, a história continua sendo construída por aqueles que se recusam a permanecer indiferentes.
Encontramos esta fotografia na página oficial do presidente Lula, registrada durante a manifestação realizada na Avenida Paulista, em 24 de outubro de 2026.
Uma fotografia politicamente contextualizada e pedagogicamente significativa. Nela, reconhecemos muito mais do que o registro de uma manifestação: encontramos a presença de nossa família, a continuidade de nossas convicções e a expressão concreta de uma história de lutas que atravessa gerações.
Toda a minha família, nossas famílias, estavam lá!

Naquele dia, antes mesmo de tomarmos conhecimento da fotografia, gravei um vídeo em meio à multidão que ocupava a Avenida Paulista, na esquina com a Rua Augusta, registrando não apenas a dimensão daquela mobilização, mas também o significado histórico e político daquele momento em minha trajetória de militância.
Estas foram as palavras que pronunciei:
"Eu estou aqui na Avenida Paulista, esquina com a Rua Augusta, em frente às Lojas Riachuelo. É uma multidão de jovens, senhores, senhoras, trabalhadores e trabalhadoras participando desta atividade. Um dia histórico! Além da vitória do Lula que estamos aguardando — e que certamente virá —, estamos também encerrando, do ponto de vista político e junto com o Lula, este ciclo de lutas eleitorais em nosso país, que teve início lá em 1982, junto com o Lula nas eleições daquele ano. E hoje aqui, segundo muitos, será a última caminhada que ele participará como candidato à Presidência da República. Portanto, é um momento histórico. Viva a classe trabalhadora!"
Ao retornarmos para casa, com meus filhos, deparamo-nos com a divulgação da imagem no vídeo oficial da campanha do presidente Lula. Tomamos conhecimento também das dificuldades e do sufoco enfrentados por Lis, minha neta, em meio à grande aglomeração, movida pelo desejo de ver de perto o presidente Lula.

O episódio, aparentemente circunstancial, adquiriu para nós um significado profundamente humano, político e filosófico.
Era como se estivéssemos diante de um grande teatro da continuidade da vida, no qual diferentes gerações se encontravam para reafirmar o compromisso com a construção de um mundo novo, livre da exploração, da opressão e das diversas formas de negação da existência humana.
A memória de minha mãe e a continuidade das gerações
Ao contemplar aquela fotografia, passou um filme pela minha cabeça. Vieram à memória os ensinamentos de minha mãe, sua coragem diante das adversidades e as palavras com que nos animava para o enfrentamento da vida.

A memória de minha mãe encontrou, naquele instante, a presença de minhas netas. O passado e o futuro pareciam dialogar diante dos meus olhos.
A frase estampada no cartaz também despertou lembranças de antigas campanhas sindicais, das mobilizações coletivas e dos ensinamentos construídos na militância.
Ver minha neta Duda segurando um cartaz com aqueles mesmos dizeres reafirmou uma convicção que atravessa minha trajetória: lutar e educar valem a pena.
A luta não se encerra na existência individual daqueles que a protagonizam. Ela permanece nos valores transmitidos, nas consciências despertadas e nas novas gerações que assumem, à sua maneira, o compromisso de transformar a realidade.
Há algo de profundamente pedagógico nesse encontro entre gerações. Aquilo que aprendemos nas experiências concretas da vida, nas organizações populares, nos sindicatos, nas escolas e nas manifestações pode transformar-se em consciência histórica, em compromisso coletivo e em novas possibilidades de emancipação humana.

Entre a potência de viver e a necrofilosofia
A grandiosidade daquela mobilização não se expressava apenas na quantidade de pessoas presentes, mas sobretudo na energia coletiva de quem acredita que a história pode e deve ser transformada.
Ali estavam jovens, trabalhadores, trabalhadoras, idosos, famílias inteiras e militantes de diferentes gerações. Era o encontro da memória com o futuro, da experiência acumulada com a rebeldia criadora da juventude, da resistência histórica com a esperança de novas conquistas.
Era, sobretudo, o encontro entre a potência de viver e aquilo que tenho denominado necrofilosofia: uma concepção de mundo marcada pela negatividade, pela naturalização da opressão e pela negação das possibilidades emancipatórias da existência humana.
Em contraposição a essa perspectiva, afirmamos uma pedagogia do viver, fundada na solidariedade, na consciência crítica, na participação coletiva e na capacidade humana de transformar a realidade.
A vida não se resume à sua dimensão biológica.
Ela se realiza historicamente nas relações sociais, nas escolhas políticas e na construção de possibilidades para as gerações que ainda virão.
Nesse sentido, o esperançar, tão presente na concepção pedagógica de Paulo Freire, não significa aguardar passivamente um futuro melhor. Significa agir sobre o presente para transformar as condições que impedem a realização de uma vida digna.
Uma trajetória de lutas que não termina conosco
Ao recordar aquela trajetória iniciada nas eleições de 1982, percebo quantas experiências, enfrentamentos, conquistas, derrotas e esperanças atravessaram nossas vidas.
São décadas de participação política, de organização popular, de defesa da democracia, dos direitos sociais e dos interesses históricos da classe trabalhadora.
Mas a história não pertence apenas àqueles que participaram de suas primeiras batalhas. Ela continua nas mãos das novas gerações.
Por isso, a presença da familia e de minhas netas — Duda, Gi, Lis e Maju — e demais familias militantes possui um significado que ultrapassa o encontro familiar. Representa, a continuidade de valores, sonhos e compromissos construídos ao longo das nossas histórias.
Estamos no caminho e do lado certo da história, aquele que escolhemos trilhar na defesa da dignidade humana, da justiça social e da emancipação dos povos.
Não porque a história esteja previamente determinada, mas porque fazemos escolhas diante das contradições de nosso tempo. E escolher lutar pela vida, contra a exploração e a opressão, é também assumir uma responsabilidade perante aqueles que virão depois de nós.
A fotografia daquele dia tornou-se, assim, um documento de memória política e afetiva. Nela, a experiência de quem atravessou décadas de militância encontra a juventude que poderá construir novos caminhos.
A finitude individual encontra a continuidade histórica. A memória encontra o amanhã. E a esperança deixa de ser uma abstração para adquirir rostos, nomes, gestos e compromissos concretos.
Fiz o que pude nesta caminhada. E, se não cheguei mais longe, foi porque fui barrado pelos detentores do capital nas tocais e nas veredas da vida.
Mas as limitações impostas pelas circunstâncias não apagam o sentido de uma trajetória. A luta social não se mede apenas pelas vitórias alcançadas individualmente, mas também pelas sementes que conseguimos plantar, pelas consciências que ajudamos a despertar e pelos compromissos que permanecem vivos nas gerações seguintes.
Aquela fotografia, portanto, não representa apenas um instante da manifestação de 24 de outubro de 2026.
Representa uma história que não termina conosco.
Enfrente! Quem faz a história não fica esperando que ela aconteça.
Porque a história é obra humana, construída nas contradições da sociedade e na ação consciente daqueles que se recusam a aceitar a injustiça como destino.
Vida, sonhos e lutas que seguem!
Aldo Josias dos Santos
25 de outubro de 2026



Encontros de caminhos, vidas unidas num mesmo ideal, lutas e sonhos que convergem numa mesma esperança de mundo a se construir. Ahh, Aldo Santos e Luís Inácio Lula da Silva, destinos que se entrelaçam a todo momento!! Não devemos nunca deixar de lembrar que esta união tem um território que irá eternizá-la: VILA LULALDO!!