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Temos que derrotar o imperialismo, o sionismo e os governos subservientes — na América Latina e em outros continentes

Foto do escritor: Aldo Santos
Aldo Santos
há 6 horas
7 min de leitura

NOTA PÚBLICA — COMITÊ ANTI-IMPERIALISTA DO ABC

São Bernardo do Campo, 14 de setembro de 2026

O Comitê Anti-imperialista do ABC reuniu-se em 12 de setembro de 2026 com seus integrantes, tendo como pauta a análise do processo eleitoral e as tentativas de golpe contra as instituições nacionais. Os participantes avaliaram que a campanha para a reeleição do presidente Lula e de Fernando Haddad ao Governo do Estado de São Paulo tem enfrentado dificuldades evidentes.

Existe grande preocupação: tanto pelas pesquisas — sejam elas referência ou não — quanto pelo que se veicula nas campanhas na TV, nas redes sociais e nos demais meios de comunicação, de que o país corra o risco, ainda que distante, mas possível, de ver a vitória do fascismo e da extrema-direita nas diversas instâncias de poder. Se isso ocorrer, serão jogadas por terra todas as conquistas econômicas, sociais e políticas alcançadas no atual governo, abrindo caminho para um futuro incerto para o Brasil.

É evidente a interferência dos Estados Unidos em nosso processo eleitoral, como já admitido pelo próprio presidente Donald Trump, que optou por apoiar a candidatura ligada ao bolsonarismo. Trata-se de um candidato despreparado, subserviente aos interesses norte-americanos, cujo principal objetivo, se eleito, seria conceder indulto ao pai criminoso e aos demais envolvidos na violenta tentativa de golpe de 8 de janeiro. Além disso, pagaria caro esse apoio: entregando nossas terras raras, riquezas estratégicas, e submetendo a própria condução do país aos interesses do governo norte-americano. Em resumo: o Estado de Direito e as liberdades democráticas seriam destruídos.

No entanto, essa realidade ainda não parece clara para boa parte do eleitorado, que até agora tem sido atraído por falsas promessas, mentiras deslavadas e uma imagem cuidadosamente construída de “homem bom”, quando na verdade esse candidato sempre foi aliado de criminosos — a quem já concedeu honrarias e privilégios — e está envolvido em graves escândalos. O mais recente deles envolve valores milionários: foram recebidos ao menos R$ 62 milhões- para o tal filme Dark Horse- entregues pelo banqueiro Vorcaro, a quem Flávio chama de “mermão”. O destino de tais recursos ainda é desconhecido. Há fortes suspeitas de que parte desses recursos tenha sido usada para sustentar o irmão Eduardo, considerado traidor da Pátria, que hoje vive com luxo e riquezas nos Estados Unidos.

Apesar das mobilizações realizadas no dia 13 de setembro em vários estados e municípios, e da transmissão ao vivo com eleitores feita pelo próprio presidente Lula — cujo alcance e impacto ainda são incertos —, a avaliação do Comitê Anti-imperialista do ABC e dos participantes da reunião é que a campanha do PT e dos partidos progressistas apresenta, até o momento, uma apatia que já era percebida por militantes, tanto históricos quanto mais recentes, e também registrada na cúpula da campanha, nos sindicatos e nos movimentos sociais.

A campanha tem se mostrado morna, sem força, sem corresponder à altura das entregas e conquistas concretas realizadas pelo governo Lula nas áreas econômica e social. Ao mesmo tempo, a campanha da extrema-direita avança de forma agressiva: vemos governadores que circulam por obras públicas — construídas com recursos do governo federal — sem sequer mencionar quem as tornou possíveis, ao mesmo tempo em que soltam promessas fáceis e imediatas, sem ter apresentado nenhum projeto consistente para o Estado de São Paulo. Flávio Bolsonaro, conhecido por suas ligações com milícias e agentes de repressão violenta, aparece agora como uma pessoa amável, usando a própria família como isca para tentar apagar sua imagem de envolvimento com corrupção e desonestidade.

É evidente que a campanha da extrema-direita é movida por muito dinheiro, proveniente, em grande parte, de fontes estrangeiras, além do apoio aberto de setores do empresariado — que, mesmo tendo sido amplamente beneficiados pelo governo Lula, não hesitam em se aliar ao outro lado. Essa postura reflete a essência do sistema em que vivemos: o capitalismo predatório, que busca lucro fácil, exploração intensa dos trabalhadores e ganhos sem controle, e que domina, de forma crescente, nossas instituições.


A TENTATIVA DE GOLPE E O PAPEL DO STF

Desmoralizar as instituições e provocar o caos faz parte de uma estratégia orquestrada, que tem apoio externo — especialmente dos Estados Unidos — e que também ataca outros países da América Latina, como já aconteceu em diversas nações do continente. Hoje, apenas Brasil, México e Uruguai conseguem resistir a esse avanço.

A tentativa de golpe, planejada com cuidado, ganhou força com a atuação do ministro André Mendonça — indicado por Bolsonaro —, cuja postura revela claramente seus objetivos. Juristas, políticos, jornalistas e diversos setores da sociedade já reconhecem: a intenção era atingir o governo Lula e impedir sua reeleição.

A ação foi audaciosa: logo após a divulgação de uma investigação sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Vorcaro, houve interferência direta de Mendonça em matéria de competência exclusiva do Poder Executivo — a nomeação do diretor da Polícia Federal . Mendonça tratou de atropelar as prerrogativas do Executivo e afastou não só o diretor da PF, Andrei Rodrigues e também o diretor de Inteligência da instituição, usando argumentos frágeis e sem fundamento.

Na verdade, o objetivo real era outro: blindar Flávio Bolsonaro das acusações de desvio de verbas e do recebimento de valores milionários do banqueiro — inclusive recursos usados para o financiamento do filme “Cavalo de Guerra” — e proteger o próprio ministro Mendonça que , conforme noticias divulgadas na imprensa, também manteve relações com Vorcaro.

Diante disso, a posição do presidente Lula foi correta e firme: declarou que as investigações devem prosseguir, doa a quem doer. E a tentativa de desestabilização foi contida com agilidade: o ministro Flávio Dino reafirmou a competência e a integridade das instituições, restabeleceu os dirigentes da Polícia Federal em seus cargos e aprofundou a investigação sobre a origem e o destino dos recursos usados no referido filme.

Apesar de ter sido contida essa investida imediata, as ameaças contra a esquerda e os setores progressistas seguem vivas e exigem atenção e alerta constante.

SINDICATOS, MOVIMENTOS E MILITANTES: É HORA DE AGIR

O Comitê avaliou também que a campanha da extrema-direita aparece com grande visibilidade: banners, cartazes e material abundante em todas as ruas e avenidas da região. Enquanto isso, a campanha dos setores progressistas ainda parece retraída, e a mobilização popular encontra grandes dificuldades.

A conclusão é clara: sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais, militantes e todos os que defendem a democracia precisam tomar a frente e lutar pela vitória dos candidatos progressistas — em especial de Lula e Fernando Haddad.

Mesmo que alguns setores da esquerda tenham apresentado suas próprias candidaturas e defendam seus programas no primeiro turno, é fundamental que, no segundo momento, todos se unam: cerrar fileiras em defesa da democracia, contra o golpismo e para aprofundar as conquistas já alcançadas.

Sugere-se que sindicatos e entidades de toda ordem chamem suas bases para as ruas e para as redes sociais, montem pontos de informação e debate em todos os espaços públicos possíveis. O tempo é curto, mas com esforço, coragem e vencendo a apatia, podemos colocar os interesses do país e do nosso povo acima de tudo — especialmente agora que está em jogo a própria soberania nacional, que será perdida se formos descuidados.

Sabemos que hoje a militância tem características diferentes do passado: muitas pessoas precisam de apoio e estrutura para atuar, mas a atividade deve ser feita com dedicação, consciência e firmeza, voltada para a vitória da esquerda contra o avanço reacionário e fascista que se espalha pelo mundo.

Temos que derrotar o imperialismo, o sionismo e os governos subservientes — na América Latina e em outros continentes. Não podemos entregar nosso país aos interesses dos Estados Unidos nem das grandes corporações ligadas à indústria bélica. Não podemos nos submeter ao poder das grandes empresas de tecnologia, que usam a guerra híbrida para destruir governos e nações — e que precisam, urgentemente, ser reguladas e controladas.

Por isso, repensar o sentido da campanha eleitoral é fundamental: ela não é apenas uma disputa de cargos, mas uma disputa de projetos e de visão de mundo. Precisamos vencer a apatia e apresentar claramente o que está em jogo.

REFAZER E FORTALECER A REPÚBLICA

Todas as conquistas valiosas do governo Lula ainda não conseguiram dar à campanha a força e a dimensão que deveriam ter — e que, na nossa avaliação, deveria levar a uma vitória expressiva.

A República ainda sofre com males antigos: a dominação de uma elite que sempre mandou nas instituições, e agora também com o avanço do neoliberalismo, que espalha o individualismo e o desinteresse pelo coletivo entre trabalhadores e todos os setores da sociedade.

Vivemos também o impacto de um modelo de consumo excessivo, que promove objetos descartáveis e bens desnecessários, e agora também as apostas digitais — que enganam milhões de pessoas, causam dependência, endividamento e destruição de vidas e famílias. Essas plataformas devem ser proibidas ou, no mínimo, rigorosamente regulamentadas e punidas quando abusam.

O debate ideológico é central: precisamos explicar o que é o fascismo, o que significa um regime autoritário, e apresentar com clareza o projeto de país e de sociedade que queremos construir — baseado em valores humanitários, de solidariedade, de igualdade, sem violência de gênero, sem violência policial, e com respeito à vida e aos direitos de todos.

Não podemos esquecer que a base de tudo é a Educação. Hoje, vemos professores sendo desvalorizados, maltratados e afastados de seu papel fundamental de formadores de cidadãos — enquanto plataformas digitais se transformam em grandes negócios para empresas ligadas ao poder público.

A campanha precisa mostrar, além do que já foi feito, quais são os projetos para os próximos quatro anos e quais são os planos para um futuro onde um mundo melhor é possível. Temos que ter a certeza e a convicção de que estamos do lado certo da História: construir uma sociedade voltada para a felicidade humana.

Com a força e esforço dos trabalhadores e dos amplos segmentos progressistas vamos levar nossos candidatos à vitória em todas as instâncias de poder. Uma vez ganhas as eleições vamos ficar alertas a tentativas de golpe e desqualificação do resultado das urnas, bem como tentativas de interferência de países estrangeiros. Ditadura nunca mais. O fascismo não passará.

CONVOCAÇÃO FINAL

Portanto, chamamos sindicatos, centrais sindicais, partidos políticos, movimentos sociais e toda a população: VAMOS À LUTA!

Nesta etapa final da campanha, lutamos por um país soberano, pelas liberdades democráticas, por um futuro de conquistas e desenvolvimento para toda a sociedade — e não apenas para um grupo de privilegiados de sempre.

Os trabalhadores não têm nada a perder nessa luta, a não ser as correntes que nos prendem a um passado de injustiças e violências.

À VITÓRIA!

Comitê Anti-imperialista do ABC

São Bernardo do Campo, 14 de setembro de 2026

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