O significado da vida diante da inevitabilidade da morte


Texto do filósofo Chico Gretter.



"Ofereço este artigo ao nosso amigo, Odair Salomão, diretor da APROFFESP, companheiro de lutas e abraços, que se encontra hospitalizado e na UTI há várias semanas, em São José do Rio Preto, vítima da Covid-19. Desejamos força a ele que luta pela vida e a seus amigos mais próximos que sofrem e torcem por sua recuperação, assim como nós".


Recebi hoje um vídeo de um amigo que trata do “sentido da vida”, do que é essencial para nós, falando que desta vida não levamos nada, que devemos viver o presente, valorizar as pequenas coisas, o que todos dizem ao tratar da questão do Sentido da Vida. Muito bonito. Então respondi ao meu amigo, mais ou menos nos termos que passo a dissertar.

Um dos bimestres do Curso de Filosofia que dei durante 35 anos no Ensino Médio eu tratava com meus alunos/as justamente do tema sobre o "sentido da existência humana"...que não é uma questão meramente pessoal! As pessoas morrem, a ideias e os feitos/obras permanecem! Não há heróis ou "mitos" salvadores da pátria, somente estórias, lendas, "narrativas".... Porém, "meus heróis não morreram de overdose", meus "admiráveis" viveram e morreram lutando por liberdade, justiça, igualdade, vida feliz para todos, sem opressão e exploração de uns poucos sobre a maioria! Eles como eu não acreditamos que "Ah, o mundo foi sempre assim, nada muda, Deus quis..."! Eles não ficavam sentados dizendo que "há um céu onde um Deus fará justiça e dará um prêmio para quem fez a sua Vontade".

Esses "admiráveis" que lutam por tais ideais (Utopia = aquilo que ainda não existe, o horizonte de possibilidades, o projeto...) não morrem, pois continuam vivos na luta dos que continuam a mesma Luta! Todos os que lutam essa nossa luta poderão ser lâmpadas a iluminar o caminho para um mundo melhor, sem opressão e exploração de uma minoria. O regime da escravidão acabou, o feudalismo foi superado, o capitalismo genocida também o será!

Se quisermos e lutarmos unidos, conquistaremos, sim, um mundo onde tudo seja comum, em que a igualdade e a justiça garantam a diversidade, um mundo onde a Terra preservada seja Mãe de todos e todas e o Sol brilhe sobre nossas cabeças erguidas. Uma Terra/mundo onde o Deus das religiões não esteja "acima de todos", mas, como disse um profeta, habite no meio de nós, seja louvado não por cantos eufóricos ou lamentos tristes e desesperados, mas pelo Amor divino e humano vivido por nós aqui e agora! Amor de corpo e alma, real, concreto, feito de gestos, abraços e ausências.

E este Amor, fundado na Justiça e na Verdade, não depende de um "deus" ou de mitos, só depende de cada um de nós e de todos/as nós juntos! A vida e a "salvação" individuais passa pela vida coletiva e vice-e-versa.


O individualismo é uma farsa, um erro, uma doença, um vírus que mata muito mais do que as pandemias. À vitória sempre!


São Paulo, 28/06/2021 -


Chico Gretter, filósofo, que "sabe que não sabe", mas continua na luta!


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