Não falo somente por mim, mas por toda uma classe que a cada dia adoece mais.
- Aldo Santos

- há 2 horas
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Colegas professores,
Quero compartilhar uma reflexão e, ao mesmo tempo, um desabafo sincero sobre tudo o que temos vivido dentro da educação atualmente. Em muitos momentos, tenho a sensação de estar vivendo o mito de Prometeu, da mitologia grega, aquele que era condenado diariamente a ter seu fígado devorado por uma águia, apenas para que o sofrimento recomeçasse no dia seguinte. Essa imagem nunca fez tanto sentido para mim quanto agora.
Todos os dias somos bombardeados por cobranças intermináveis: plano de aula, PEI, recomposição, plataformas, registros, fechamento de notas, conselho de classe, Multiplica, EFAPE, devolutivas, relatórios, evidências e metas. Parece que nunca conseguimos concluir uma demanda antes que outras dezenas apareçam imediatamente em seguida.
As mensagens nos grupos das escolas se tornaram constantes lembretes de pendências, cobranças e prazos. Não existe mais silêncio, não existe mais pausa. A qualquer momento do dia chegam mensagens reforçando entregas, cobrando registros ou alertando sobre novos preenchimentos. Muitas vezes, isso invade nossas noites, nossos finais de semana e até os poucos momentos que deveriam ser de descanso ao lado da família.
E o mais triste é perceber que até mesmo os intervalos, que deveriam representar um pequeno momento de descanso e respiro mental, deixaram de cumprir essa função. O intervalo já não é mais um tempo de pausa, de conversa leve ou de recuperação emocional entre uma aula e outra. Frequentemente, ele é ocupado por recados urgentes, reuniões improvisadas, novas orientações, cobranças de gestores ou lembretes sobre aquilo que ainda falta entregar. Até o café, que antes simbolizava alguns minutos de tranquilidade, passou a ser acompanhado por ansiedade e pressão.
Chega um momento em que deixamos de trabalhar apenas na escola e passamos a viver permanentemente em função dela. Quem consegue realmente descansar sem pensar no fechamento de notas? Quem consegue dormir tranquilamente sem lembrar do conselho de classe, das plataformas pendentes ou das formações obrigatórias? Quem consegue viver um final de semana sem ansiedade ao olhar o celular e encontrar novas cobranças nos grupos?
Estamos adoecendo emocionalmente. E isso não é fraqueza, nem falta de compromisso. Pelo contrário: é justamente porque nos importamos tanto com nossos alunos e com a educação que tentamos dar conta de tudo, mesmo quando já ultrapassamos nossos próprios limites físicos e emocionais.
O professor não pode ser visto apenas como alguém que entrega documentos, preenche formulários e cumpre protocolos. Somos seres humanos. Também sentimos cansaço, medo, ansiedade, frustração e esgotamento. A educação precisa de profissionais valorizados, acolhidos e emocionalmente saudáveis para que o processo de ensino realmente aconteça de forma significativa.
Infelizmente, em muitos momentos, parece que o cuidado com o professor foi substituído apenas por números, indicadores e cobranças. E enquanto as exigências aumentam, o silêncio sobre nossa saúde mental também cresce.
Mais do que cobranças, os professores estão gritando por socorro.
Precisamos de escuta, empatia, compreensão e condições humanas de trabalho. Precisamos voltar a lembrar que por trás de cada diário preenchido, de cada plano enviado e de cada nota lançada existe um profissional tentando resistir, mesmo estando emocionalmente exausto.
Que possamos nos apoiar, nos fortalecer e nunca perder nossa humanidade diante de tantas pressões.
Não falo somente por mim, mas por toda uma classe que a cada dia adoece mais.
Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Texto encaminhado ao abcdaluta.

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