NOTA DA APROFFESP & APROFFIB EM APOIO AOS TRABALHADORES DA FORD


Não ao desemprego e às desigualdades sociais que se aprofundam


O fechamento da montadora Ford escancara a política perversa dos governos federal e estadual a qual estamos sofrendo. A APROFFESP a APROFIB, entidades estadual e nacional que lutam há anos em defesa dos professores/as de filosofia e das disciplinas afins, vêm acompanhando as manifestações da sociedade organizada e seus reflexos na vida dos cidadãos; o triste fato do fechamento da montadora Ford merece ser objeto de uma profunda reflexão dentro do campo da Filosofia, em especial no da economia e da Filosofia Política.

A Ford já não vinha com bom desempenho; em 2019 fechou a fábrica de São Bernardo, onde funcionários/as foram demitidos; e agora no dia 11 de janeiro anunciou o fechamento de produção em todo Brasil, a saber, as unidades de Camaçari- BA, Taubaté - SP e Horizonte - CE, que envolve aproximadamente 5.000 funcionários diretos. Os especialistas falam na relação de 1 para 4, portanto, nos referimos em 20.000 empregos indiretos. Analistas afirmam que a demanda por carros está aumentando e que grande parte dos trabalhadores demitidos será realocada, mas sabemos que a automação e a inteligência artificial que são incorporadas à produção reduzirão o emprego da mão obra humana. A montadora afirma que continuará em operação na Argentina e Uruguai, na intenção de reduzir custos e com a possibilidade de continuar disputando o mercado consumidor de automóveis da América do Sul, principalmente o brasileiro

A Ford alega o custo Brasil e o governo Bolsonaro culpa a mesma por querer mais subsídios; de qualquer forma os mais prejudicados são os trabalhadores e suas famílias. Sabemos que a maioria dos trabalhadores brasileiros ganha por volta de um salário mínimo; e que foi reajustado pelo governo para R$1.100,00 reais, é bem inferior ao que o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em outubro de 2020, considerou como devendo ser de R$5.000,91 para dar conta das necessidades básicas de uma família média. Mesmo sendo explorado e não ganhando nem a metade do mínimo que deveria, o trabalhador é destinado a engrossar a fila dos mais de 14 milhões de desempregados e outros tantos desalentados em nosso país estagnado na economia e com preocupantes retrocessos na área social, dos direitos humanos e das conquistas democráticas das últimas décadas.

Nós professores nos solidarizamos com estes companheiros, pois bebemos desta mesma cicuta, deste amargo veneno que os governos estadual e federal de João Dória – PSDB e Jair Bolsonaro/Guedes, aliados das empresas nacionais e multinacionais, nos fazem beber a conta gotas há muitos anos. Ainda em maior dose depois de aposentados, se é que conseguiremos, já que a cada reforma nossos direitos são cada vez mais retirados sem o menor escrúpulo. É o caso de nós professores que deveríamos ganhar próximo de R$11.400,00 se comparado com profissionais do mesmo nível de escolaridade segundo o sindicato de nossa categoria (APEOESP); não só nossos salários são congelados como, para piorar, o governo João Dória ainda confisca a nossa aposentadoria, desrespeitando nosso direito adquirido! Este é um governo neoliberal e ultraliberal que não tem dó em aprofundar sua exploração, mesmo em tempos tão difíceis como da pandemia que enfrentamos. Para manter o fosso socioeconômico que se aprofunda, o neoliberalismo não tem vergonha de flertar e tolerar ou mesmo promover governos autoritários e de cunho fascista, como é o caso do Brasil.

Nos professores e cidadãos engajado sabemos o quanto ainda permanece no subconsciente da população brasileira e em nossa cultura conceitos forjados pela sociedade escravocrata, alimentados por uma elite branca, rica que tem um encantamento subserviente por tudo o que vem da Europa e dos EUA e de forma mimética replica pelos meios de comunicação, pelas instituições públicas e privadas, influenciando a massa e disseminando a indiferença, o ódio, gerando mais pobreza e miséria; despreza também nossa cultura rica em sabedoria com a qual temos dever de nos contrapor como educadores que somos.

É com estes sentimentos e mobilização que prestamos o nosso apoio aos nossos companheiros da Ford e a todos os trabalhadores do Brasil, principalmente os desempregados e desalentados. Esperançar e reagir é preciso!


São Paulo, janeiro de 2021

APROFFESP & APROFFIB

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