top of page

Isso é a ruína encarnada no corpo de uma mulher...

Foto do escritor: Aldo Santos
Aldo Santos
28 de mai. de 2025
1 min de leitura

Heba Ayyad ***



Quando você lê que uma médica de Gaza se despediu de seus nove filhos em um único dia, não procure por palavras — tire os sapatos no limiar da linguagem… e caminhe descalço sobre o chão dessa notícia.

Porque isso não é uma notícia... é uma devastação, não é narrativa... é apocalipse, não é sangue... é uma galáxia inteira colapsando no peito de uma mulher.


Meu Deus... nove?

Como se escreve o número 9 quando cada um dele é um coração?

E como um único coração consegue suportar nove quebras de uma vez só?

Existe, no corpo, um espaço onde possa repousar tamanha dor?

Existe, na terra, espaço suficiente para sepultar todos eles… sem que o próprio solo se rasgue?

E o mundo... o mundo ainda segue como se nada tivesse acontecido?


Isso é a ruína encarnada no corpo de uma mulher...

Uma mulher que não chorou apenas um filho — ela chorou toda a sua maternidade.

Chorou o bebê que precisava do seu colo,

O jovem que enchia a casa de risos,

O menino que sonhava com uma bicicleta verde,

O adolescente que, um dia, escreveu no caderno:

"Mamãe, eu quero ser um herói."


E você, mundo...

Como encara o próprio reflexo depois disso?

Como escreve suas leis, assina seus tratados, inaugura suas universidades,

quando, no canto do mapa, uma mãe enterrou o próprio sonho nove vezes?


Heba Ayyad

Jornalista internacional, Escritora Palestina Brasileira,

Poetisa

Comentários


bottom of page