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Filosofia contra o autoritarismo: banalidade do mal, nunca mais!

Foto do escritor: Aldo Santos
Aldo Santos
28 de ago.
2 min de leitura

A Associação de Professores/as de Filosofia e Filósofos/as do Brasil (Aproffib) vem a público manifestar sua profunda indignação diante das declarações da educadora Roselaine Batalha Silva, então dirigente da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes (SP), que em 12 de agosto de 2026, durante reunião com diretores da rede estadual, exaltou líderes autoritários como Adolf Hitler e Benito Mussolini, recomendando inclusive a leitura de suas biografias como exemplos de liderança.


A Filosofia nos ensina que a memória histórica não é mero registro do passado, mas condição de possibilidade para que a humanidade não repita seus maiores horrores. Hitler e Mussolini não são “líderes excepcionais”: são símbolos de regimes que instauraram a barbárie, o genocídio e a supressão da liberdade. A tentativa de enaltecer tais figuras constitui não apenas um erro histórico, mas uma falha ética grave, pois ignora o sofrimento de milhões de vítimas e ameaça os fundamentos da convivência democrática.


É importante destacar que tais declarações não surgem de forma isolada. Elas se alinham ao ambiente discursivo promovido pela própria Secretaria de Educação de São Paulo, sob a gestão do secretário Renato Feder, que em reuniões gerais incitou seus comandados/as a desenvolver comportamentos pautados em uma lógica gerencialista e acrítica. Esse discurso, ao reduzir a educação a metas técnicas e resultados quantificáveis, abre espaço para a banalização da ética e da memória histórica, permitindo que figuras como Hitler e Mussolini sejam indevidamente apresentadas como modelos de liderança.


A Aproffib denuncia que esse alinhamento institucional compromete o caráter emancipatório da educação e reforça a necessidade de resistência filosófica contra qualquer tentativa de legitimar o autoritarismo.

A educação, sobretudo quando fundamentada pela Filosofia, deve ser o espaço da crítica, da emancipação e da dignidade humana. Não há neutralidade possível diante da apologia ao autoritarismo: silenciar ou relativizar é compactuar. Como nos lembra Hannah Arendt, o mal pode se banalizar quando a reflexão crítica é abandonada. É dever dos educadores impedir que isso ocorra, cultivando a memória e a responsabilidade como virtudes indispensáveis à vida em comum.


A Aproffib reafirma, portanto, seu compromisso inegociável com a defesa da democracia, dos direitos humanos e da justiça social. Conclamamos a comunidade educacional a manter-se vigilante contra discursos que atentem contra esses valores e a assumir, com coragem filosófica, a tarefa de formar cidadãos conscientes, capazes de resistir à sedução de ideologias que já demonstraram, de forma trágica, seu caráter destrutivo e desumano.


Como já advertia Immanuel Kant, a dignidade humana é um valor absoluto, que não pode ser instrumentalizado nem relativizado. E, como lembrava Jean-Paul Sartre, a liberdade é inseparável da responsabilidade: cada educador responde não apenas por suas palavras, mas pelo impacto que elas têm na formação de consciências. É nesse horizonte ético e filosófico que a Aproffib se posiciona, convicta de que a educação deve ser sempre um exercício de liberdade responsável e de respeito incondicional à dignidade humana.


EXECUTIVA NACIONAL DA APROFFIB Agosto de 2026

 
 
 

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