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Avante camaradas!

 Valdenir Abel dos Santos***


Tem uma certa ala dos marxistas que insistem em tratar a obra de Marx e Engels como se fora um dogma! Como se eles tivessem encontrado uma lei de semelhança às leis físicas newtonianas! E que portanto acontecerão sempre e da mesma forma!

Na natureza, como nos disse Engels podem até acontecer, mas, nas questões sociais, não! E, porquê não? Por causa da Luta de classes, que é o motor da história!

Aqui estamos falando em leis das possibilidades, ou seja, nelas podemos ver um certo grau de probabilidades que aconteçam ou não, mas não existe, e nem nos permitem ter 100% de certeza que acontecerão!

Portanto, devemos estar atentos a todas possibilidades que se nos apresentem como potencial de virem a ser transformadoras! E, a realidade histórica comprova-nos este entendimento, vamos ver alguns exemplos: pela leitura das obras de Marx/Engels se deduz que a primeira revolução socialista deveria acontecer na Europa central, devido a todo um conjunto de quesitos que se faziam ali presentes, e, inexistente em muitos outros lugares, naquele momento! Mas, o que aconteceu de fato, a primeira Revolução Socialista se deu na periferia da Europa, na Rússia, com condições totalmente adversas, em relação as da Europa central.

Outro exemplo é a revolução socialista da China. A China tinha uma situação social e econômica totalmente diferente da Europa central da época, e, tb da Rússia, que embora periférica, tinha uma classe trabalhadora urbana considerável, pois na China o forte do trabalho era no campo, o movimento trabalhista estava no campo, e não na cidade! Ora, o que fez Mao, organizou o campesinato que foi a base da vanguardista da Revolução Chinesa! Mas, se vc for ver nas obras de Marx/Engels a vanguarda das revoluções socialistas deveriam ser, a classe trabalhadora urbana! Veja, que a realidade é múltipla e deve-se observar a realidade em que se vive, ou seja, a sua realidade, e seguir a partir dela!

Vamos ver mais um exemplo, a Revolução socialista Cubana! Se observarmos a obra de Marx/Engels não vamos encontrar nela uma indicação de que a Revolução socialista no mundo, deveria ocorrer a partir de uma guerrilha armada até se tomar o poder! Mas, foi o que aconteceu em Cuba!

A luta pelo poder, em Cuba, deu-se através de um movimento guerrilheiro que teve o seu iniciou a partir da Serra Maestra e seguiu de lá até a tomada do poder no centro da cidade! Porém, ao ser aplicado esta mesma fórmula num outro país, como o da Bolívia, observamos que não deu certo, não se obteve o mesmo resultado que em Cuba, e, o pior, ocasionou a morte de Che Guevara, um importante líder revolucionário.

Então, não podemos olhar com o mesmo olhar, com olhares dogmáticos a grande contribuição de Marx/Engels, que nos serve de farol, até hoje, evidentemente, mas que está muito distante de uma semelhança com as leis físicas newtonianas!


Outro problema de uma ala dos marxistas, é a de sempre estar olhando para o caráter universal, das proposições marxianas, sem observar ao particular, a particularidade! Ou seja, sempre estão olhando para o universal em detrimento do particular! Este é um outro equívoco que Jean-Paul Sartre já se esforçou por dirimir, corrigir e afastar o pensamento marxista deste equívoco! Isto aconteceu quando ele juntou o marxismo e o existencialismo! Ele juntou o pensamento marxista, de caráter mais abstrato universal, e o pensamento existencialista, de caráter mais, particular, individual e concreto!

Como podemos observar , no seu livro, muito importante: Questão de método! Ora, não há como separar uma coisa da outra, não existe o universal sem o particular e vice-versa! Portanto, é muito importante que levemos em conta nas nossas análises de conjunturas, sob o ponto de vista do universal, mas levando-se em conta o particular, a particularidade real de cada lugar, que nem sempre o mesmo, das outras regiões, das outras localidades, dos outros povos e etc. Mas, existe ainda um outro equívoco de uma ala marxista, que tem aquela visão tradicional de que o ponto de irrupção de um movimento tem que ser necessariamente sempre o mesmo: o ecônomo, em todos os lugares do mundo!


Transformando esta afirmação numa lei universal, um dogma, que como mostramos nos exemplos acima, não tem força de um lei física, de uma lei da natureza, pois trata-se de seres humanos que vivem em sociedade, portanto, tentar achar um ponto fixo, numa sociedade líquida, como nos diz Balman, ou numa sociedade “onde tudo que é sólido se desmancha no ar” como nos disse Marx, é um equívoco!

É por isso que Herbert Marcuse escreveu o seu livro: Eros e a civilização! Observando e incentivando outros pontos de uma possível irrupção social, Revolucionária, transformadora, que possam surgir por motivos outros que não exclusivamente econômicos, mas que, com certeza, uma coisa levaria a outra! E, evidentemente, que este não é um olhar, tradicional marxista, e, que portanto questiona o dogma!

Mas, faz todo o sentido! Não observar este potencial revolucionário nos movimentos sociais, de vários matizes, é negar a própria realidade! E, que vai justamente contra (aí sim), a obra de Marx/Engels!

Para terminar, o Movimento Marxista atual deveria se modernizar a tal ponto de se acercarem da obra de Darcy Ribeiro que baseado na interpretação realista da sociedade onde se vive, e da localidade onde se mora, no caso a brasileira, fez, uma leitura realista do seu lugar de existência, onde desenvolveu uma obra, teórica marxiana/brasileira de seis livro, sendo o último destes livros:

O povo brasileiro. Que perfaz uma teoria completa sobre a realidade brasileira e da América Latina! Esta é uma obra imperdível que todos deveriam ler, onde, Darcy, praticou a antropofagia defendida por Oswald de Andrade, no seu Manifesto antropófago (antropofágico)! Seria muito importante relermos todas estas obras que citei, anteriormente, principalmente a obra de Darcy Ribeiro: pois ele além viver entre os indígenas, passou tb pelo exílio, no tempo da ditadura militar, não sendo assim só um teórico de ar condicionado, não! Avante camaradas! Pois estamos muito próximos de uma transformação total da sociedade!


Valdenir Abel dos Santos

Professor de Filosofia aposentado! Diretor da APROFFIB e Representante dos professores aposentados na APEOESP.


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