A BURGUESIA E A DEMOCRACIA


Por: Alberto Souza.


Nos anos 50 do século passado, Jacob Arbens, candidato de esquerda, ganha as eleições na Guatemala. Com ele seria feita a reforma agrária e defendidas as riquezas nacionais. A burguesia local, com o apoio dos Estados Unidos, o derrubou. Ao seu ver, a esquerda não poderia ganhar eleições.


Em 1961, Jango Goulart, foi proibido pelos agentes armados da burguesia de tomar posse, em substituição a Jânio Quadros, que acabava de renunciar à presidência.

O argumento era que Jango era de esquerda.


A burguesia brasileira, orientada pelo imperialismo ianque, com este fato, dizia não aceitar ser o Brasil governado por um político disposto a fazer as mudanças desejadas pelo povo.

Jango acabou tomando posse, após resistência ao golpe de Estado em andamento.

Na verdade, conseguiu adiar sua queda, que acabou acontecendo em 64, com a participação americana em sua organização, com suas tropas mobilizadas para possível intervenção direta no país, caso a quartelada falhasse.


Para a burguesia todo presidente de esquerda tem de ser deposto.


No Chile, um presidente socialista, eleito para mudar a estrutura social econômica ,não só foi deposto, como também morto pelos fardados da burguesia. A burguesia chilena, guiada pela burguesia do Império, assim, como nunca , deixava claro seu propósito: a esquerda socialista, ou não, não pode ser eleita. E, se eleita, não pode governar.


Em 1998, Chávez é eleito presidente da Venezuela. De esquerda, deixou visível seu compromisso com seu povo e sua luta antiimperialista. A burguesia venezuelana, aliada ao imperialismo americano, logo partiu para o golpe: cometendo matanças, em 2002 , tentou tirá-lo em definitivo do governo. O que conseguiu por 3 dias, sendo derrotada por um povo que não abre mão de ser livre.

A burguesia da Venezuela jamais aceitaria um governante de esquerda. Há mais de 20 anos conspira contra a democracia e o chavismo na pátria de Simón Bolívar.


Em outros países sul-americanos está lógica dos donos do capital sempre se faz presente.

Golpes e mais golpes. Ditaduras mandando. Torturas, prisões, assassinatos de democratas , na ordem de cada dia.


Em 2002, a eleição de Lula. Acreditou ele ser sua Carta ao Povo Brasileiro garantia de que poderia governar em paz, apesar de ser candidato de esquerda, já que se comprometia em tal documento nada fazer contra o poder econômico.

Mesmo assim,por não estar disposto a adotar políticas de privatização - entregando a grupos econômicos patrimônio nacionais, como a Petrobrás, defendendo também um política externa não subordinada a governos estadunidenses - a burguesia começou a mobilizar sua gente para derrubá-lo. Chegou a botar seu militantes na rua para isso.

O governo Lula não caiu. Contudo, apenas adiou o golpe que sofreriam seu partido e a esquerda em em geral, ocorrido em 2016.

A burguesia brasileira, com agentes como Moro sempre presentes nos Estados Unidos, suspeitos de estar a serviço desta potência imperialista, não escondeu seu jogo: mais uma vez deixou claro jamais aceitar a eleição de governo de esquerda , ou mesmo de centro-esquerda.


Na verdade, não há um só país, em praticamente todo o mundo, em que a burguesia tenha aceitado a eleição de candidato de esquerda ao governo central; até mesma da esquerda não socialista.


Assim é a democracia do capital.

Assim é a democracia burguesa.


A saída para a esquerda são exemplos como os dos povos da Bolívia e da Venezuela, que não abrem mão da luta por uma democracia de novo tipo, da classe trabalhadora, rumo ao socialismo.


Alberto Souza - Ex-vereador em SBC e militante Sindical

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