Como o Estado te mata aos poucos!

Atualizado: Out 18


Solidariedade já! *


Olá companheiras e companheiros de lutas.

Venho mais uma vez relatar um pouquinho da minha saga para sobreviver. E o descaso do Estado com a vida de quem se dedica à educação.

Sofri um acidente de trabalho em uma das escolas que leciono, em virtude disso tenho uma lesão de medula parcial que me dificulta caminhar; desenvolvi a bexiga neurogênica, ou seja, ela não funciona; assim sendo necessito de um cateter urinário específico para esvaziar a bexiga!


Tenho travado inúmeras batalhas para me manter viva, e uma delas é por conta do cateter urinário. Praticamente há onze meses que o cateter não me é fornecido corretamente.


Procurei os órgãos competentes, de nada adiantou. Então, tomei todas as medidas legais, tive ganho de causa. E, por incrível que pareça, os responsáveis não acatam a decisão judicial, ou deturpam a leitura do que está no processo. Ganhei o processo, mas diante das mazelas, não recebo os cateteres, essenciais para minha vida.


Muitas pessoas afirmam que a luta te faz mais forte. Mas, nessa situação, na qual você depende de um material fornecido pelo Estado, para que se possa ter uma qualidade de vida mínima para não ir a óbito, é desgastante.


Muitas pessoas, creio, acabam morrendo de desgosto, de decepção diante do descaso com a sua saúde. A sensação de INVISIBILIDADE dói fundo na alma. Aqui em Jaú, há muitos casos como o meu, cujo diagnóstico médico é de irreversibilidade, ou seja, até o fim dos meus dias vou depender desse cateter urinário. Minha maior frustração é saber que se eu quiser continuar viva terei que continuar travando essas batalhas dolorosas!


Como Rita Lee disse “Só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão!” Quem sou eu para reclamar?

Desculpa! Esqueci de me apresentar: Sou filha de Maria Ninguém, tenho 32 anos, brasileira, assalariada, mulher, negra, deficiente física, professora. “Eu sou pau pra toda obra. Deus dá asas à minha cobra... Minha força não é bruta." Mas, meu conhecimento é forte! Por esse motivo luto pelos meus direitos. Pelo meu direito à vida.


Não custa lembrar, não custa nada ensinar o Pai-Nosso ao vigário. Ali, na Constituição Federal, está escrito ser um dos fundamentos do Estado garantir a DIGNIDADE À PESSOA HUMANA. Lá também consta a SAÚDE como um direito social. Transcrevo aqui dois trechos:

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:

....

II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência;

....

Art. 30. Compete aos Municípios:

....

VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população;


Por esse motivo não aceito ser tratada como um ser invisível, como algo a ser descartado pelos poderes públicos a quem presto serviço!


Afinal! Sou mulher, negra e não desisto nunca.


Ana Paula Cauduro

Professora de Filosofia na rede Estadual

Especialista em Filosofia Clínica





Obs. Vamos fazer 'panfletagem virtual', compartilhando os textos. Caso tenha alguma sugestão ou crítica, use o espaço ao final do texto para propostas, comentários e/ou encaminhamentos.

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