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MANIFESTAÇÃO CONTRA O FECHAMENTO DO ENSINO NOTURNO REÚNE ESCOLAS, ENTIDADES E MOVIMENTOS SOCIAIS.

Foto do escritor: Aldo Santos
Aldo Santos
há 5 horas
5 min de leitura

MANIFESTAÇÃO EM SÃO BERNARDO DO CAMPO CONTRA O FECHAMENTO DO ENSINO NOTURNO REÚNE ESCOLAS, ENTIDADES E MOVIMENTOS SOCIAIS.

 

Comunidade escolar denuncia ameaças ao direito à educação, cobra explicações do governo estadual e anuncia ampliação da mobilização em defesa das escolas públicas.

 

São Bernardo do Campo, 8 de outubro de 2026.

 

Na tarde de quarta-feira, 7 de outubro, estudantes, professores, representantes de entidades comunitárias, organizações estudantis, movimentos sociais e defensores da educação pública realizaram uma importante manifestação em frente à Unidade Regional de Ensino (URE) de São Bernardo do Campo, contra o fechamento do período noturno nas escolas estaduais do município.

 

A manifestação expressou a crescente preocupação das comunidades escolares diante das medidas de reorganização da rede estadual de ensino, que ameaçam restringir o acesso à educação, especialmente para estudantes trabalhadores, jovens das periferias e pessoas que dependem do período noturno para continuar seus estudos.

 

Mais do que uma reivindicação localizada, o movimento denuncia uma política educacional que, ao reduzir a oferta de vagas no período noturno, pode aprofundar desigualdades sociais e educacionais, dificultando a permanência dos estudantes na escola pública.

 

ESCOLAS E COMUNIDADES MOBILIZADAS

 

A manifestação contou com a presença de representantes de diferentes escolas estaduais, entidades e organizações sociais, demonstrando que a resistência ao fechamento do ensino noturno ultrapassa os limites de uma única unidade escolar.

 

Participaram ou estiveram representados no movimento:

 

Sociedade Amigos do Taboão;

 

Professores/as  da Escola Estadual Maurício de Castro, na Vila São Pedro;

 

Representantes das escolas estaduais Walker da Costa Barbosa, Domingos Peixoto, Maristela Vieira e Jorge Rahme e Nelson Palma.

 

Diretores da Associação de Moradores da Vila Lulaldo e representantes da Escola Estadual Maria Pires;

 

Representantes da APROFFIB, do Conselho Tutelar e da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES);

 

Estudantes do Cursinho Passo à Frente;

 

Vereador Ananias;

 

Subsede da APEOESP de São Bernardo do Campo, cujo apoio foi fundamental para a organização e realização da manifestação.

 

A presença dessas representações evidencia a dimensão social do problema. O fechamento de turmas noturnas não afeta apenas a organização administrativa das escolas: interfere diretamente na vida de estudantes, famílias, trabalhadores da educação e comunidades inteiras.

 

QUATORZE ESCOLAS APONTADAS COMO AMEAÇADAS

 


No processo de mobilização, foram relacionadas 14 escolas estaduais cujas comunidades foram chamadas a participar da luta contra o fechamento do período noturno:

 

EE Maria Cristina;

 

EE Nelson Monteiro Palma;

 

EE Maurício de Castro;

 

EE Walker da Costa Barbosa;

 

EE João Ramalho;

 

EE Professora Maria Pires;

 

EE Bassani — região do Pós-Balsa;

 

EE Mário Franciscon;

 

EE Domingos Peixoto;

 

EE Maristela Vieira;

 

EE Maria Osório;

 

EE Mathias Octávio;

 

EE Jorge Rahme — região do Taboão/Paulicéia;

 

EE Maria Auxiliadora.

 

A relação integra o levantamento apresentado pelo movimento e reforça a necessidade de esclarecimentos públicos e quais alternativas estão sendo efetivamente oferecidas pela Secretaria Estadual da Educação. A situação específica de cada unidade deverá ser confirmada oficialmente, urgentemente.

 

COMISSÃO PROCURA A DIREÇÃO REGIONAL.

Durante a manifestação, a comissão organizadora, com apoio da APEOESP, procurou estabelecer diálogo com a direção da Unidade Regional de Ensino, solicitando audiência para apresentar as reivindicações das comunidades escolares e discutir as consequências do fechamento do período  noturno.

 

Segundo os organizadores, a informação recebida foi de que não havia ninguém da instituição disponível no momento.

 

A ausência de atendimento provocou indignação entre os manifestantes, que reivindicam transparência, participação das comunidades escolares e respostas oficiais sobre o futuro do ensino noturno no município.

 

Para o movimento, decisões que atingem diretamente milhares de estudantes e suas famílias não podem ser conduzidas sem diálogo público e sem a participação daqueles que serão afetados.

 


O ENSINO NOTURNO É UM DIREITO, NÃO UM FAVOR DO GOVERNO.

 

O debate sobre o fechamento do período noturno envolve uma questão fundamental: o direito constitucional à educação.

 

A Constituição Federal, em seu artigo 208, inciso VI, estabelece como dever do Estado garantir a oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando.

 

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), em seu artigo 4º, também assegura a oferta de ensino noturno regular adequado às condições dos estudantes.

 

O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 53, garante a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola.

 

Portanto, a discussão não pode ser reduzida à quantidade de matrículas, à distribuição administrativa de estudantes ou à economia de recursos públicos.

 

Para milhares de jovens que trabalham durante o dia, contribuem para a renda familiar ou enfrentam condições sociais adversas, estudar à noite representa a possibilidade concreta de concluir a educação básica e construir novas perspectivas de vida.

 

Eliminar ou concentrar excessivamente essa oferta, sem assegurar alternativas efetivamente acessíveis, pode transformar um direito formalmente reconhecido em uma oportunidade praticamente impossível de exercer.

 

 

MANIFESTANTES APROVAM NOVOS ENCAMINHAMENTOS

 

Ao final da manifestação, os participantes aprovaram por unanimidade a continuidade e a ampliação da luta em defesa do ensino noturno.

 

Entre os encaminhamentos definidos estão:

 

Manter e ampliar a mobilização, envolvendo novas escolas, estudantes, professores, famílias e organizações comunitárias.

 

Procurar o Ministério Público, solicitando acompanhamento e esclarecimentos sobre a representação já protocolada a respeito do fechamento das turmas noturnas.

 

Realizar novos atos nas próprias unidades escolares, aproximando a mobilização das comunidades diretamente atingidas.

 

Organizar uma manifestação em frente à Secretaria Estadual da Educação, na capital paulista, denunciando a política de redução da oferta do ensino noturno na rede estadual.

 

Ampliar a coleta de assinaturas no abaixo-assinado, envolvendo bairros, escolas, entidades e movimentos sociais.

Realização de audiência publicas.

 

Os encaminhamentos demonstram que a manifestação de 7 de outubro  representa uma nova etapa de organização coletiva.

 

A DEFESA DO ENSINO NOTURNO É UMA LUTA DA CLASSE TRABALHADORA.

 

O movimento reafirma que a escola pública precisa estar a serviço das necessidades concretas da população.

 

O estudante que trabalha durante o dia não pode ser penalizado por sua condição social. A juventude das periferias não pode ser obrigada a escolher entre o trabalho necessário à sobrevivência e a continuidade de seus estudos.

 

A educação pública deve ampliar oportunidades, e não criar novos obstáculos para aqueles que historicamente enfrentam maiores dificuldades de acesso ao conhecimento.

 

O fechamento do ensino noturno, quando impede a continuidade dos estudos, aprofunda a exclusão educacional e compromete o princípio de uma escola pública democrática, gratuita, inclusiva e socialmente referenciada.

 

A mobilização de São Bernardo do Campo também chama a atenção para a necessidade de um debate mais amplo sobre as políticas educacionais do governo estadual, especialmente quanto à garantia de vagas, à permanência dos estudantes, às condições de trabalho dos educadores e ao respeito às comunidades escolares.

 

A LUTA CONTINUA!

 

A manifestação de 7 de outubro demonstrou que estudantes, educadores e comunidades não estão dispostos a aceitar passivamente medidas que ameacem o direito à educação.

 

Diante da ausência de atendimento à comissão, o movimento decidiu intensificar sua organização, ampliar as denúncias e exigir respostas concretas das autoridades educacionais.

 

O silêncio do governo não calará a voz das comunidades escolares!

 

NÃO AO FECHAMENTO DO ENSINO NOTURNO!

 

ESCOLA PÚBLICA,  LAICA, GRATUITA, DEMOCRÁTICA E DE QUALIDADE PARA TODOS E TODAS!

 

DEFENDER A ESCOLA PÚBLICA É DEFENDER A CLASSE TRABALHADORA!

 

A mobilização contou com o apoio fundamental da Subsede da APEOESP de São Bernardo do Campo e a participação de entidades comunitárias, organizações estudantis, professores, estudantes e representantes das escolas estaduais.

 

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