HITLER E MUSSOLINI NÃO SÃO EXEMPLOS PARA A EDUCAÇÃO
- Aldo Santos

- há 2 horas
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Sérgio Linhares ***
Se confirmadas as falas atribuídas à dirigente de ensino Roselaine Batalha Silva, da URE Mogi das Cruzes, estamos diante de algo que ultrapassa em muito os limites de uma fala infeliz ou de uma comparação histórica inadequada.
Apresentar Hitler e Mussolini como exemplos de “líderes excepcionais” e qualificar Mein Kampf como uma obra “estimulante”, ainda mais em uma reunião com diretoras de escolas públicas, exige repúdio firme e esclarecimentos públicos.
Hitler e Mussolini não representam modelos de liderança. Representam regimes totalitários responsáveis por perseguição política, racismo, supressão de direitos, violência de Estado, guerra e extermínio. O nazismo levou ao Holocausto e ao assassinato sistemático de milhões de pessoas. Não existe discussão sobre “liderança” que possa apagar esse conteúdo histórico e político.
E é igualmente preocupante a afirmação atribuída à dirigente:
“Eu não quero discurso, eu não quero justificativa, eu quero um líder.”
Educação pública não se faz com culto à autoridade, obediência cega ou silenciamento de quem questiona. Uma diretora de escola não é comandante de tropa. Professores não são subordinados que devem simplesmente cumprir metas sem reflexão. Estudantes não são números em uma planilha.
Quando esse discurso aparece associado à cobrança permanente por resultados, rankings, metas e premiações, é legítimo questionar qual concepção de gestão educacional está sendo construída na rede estadual de São Paulo.
E esse debate não pode ficar restrito a Mogi das Cruzes.
Também precisamos cobrar esclarecimentos sobre o que acontece na URE São Bernardo do Campo, diante das denúncias de tentativa de fechamento de turmas ou do período noturno e de perseguição a profissionais da educação.
São situações diferentes, que precisam ser apuradas individualmente, mas que levantam uma mesma questão: que modelo de gestão a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo está promovendo em suas unidades regionais?
Não aceitaremos autoritarismo em Mogi das Cruzes.
Não aceitaremos fechamento do período noturno sem diálogo com o corpo docente e discente, bem como, junto a comunidade escolar em São Bernardo do Campo.
Não aceitaremos perseguição ou intimidação de profissionais da educação em lugar algum.
A escola pública precisa formar cidadãos capazes de pensar, questionar e conviver democraticamente. Seus gestores devem exercer liderança com diálogo, responsabilidade, conhecimento e respeito — jamais buscar inspiração em ditadores.
Por isso, a Secretaria da Educação precisa responder tanto pelo que está sendo denunciado em Mogi das Cruzes quanto pelas denúncias envolvendo a gestão educacional em São Bernardo do Campo e certamente em outras regiões.
Queremos transparência. Queremos apuração. Queremos respeito aos profissionais, estudantes e comunidades escolares.
Hitler não é exemplo de liderança.
Mussolini não é exemplo de gestão.
Mein Kampf não é manual de inspiração.
Fechar salas de aulas e o noturno é aporofobia não é política de inclusão.
Perseguir educadores não é gestão.
Educação pública se faz com democracia, diálogo, direitos e dignidade. Sempre.
Sérgio Linhares
Professor
Membro da subsede da APOESP de São Bernardo do Campo
Presidente do Instituto Vida



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