Gente, o Jubileu não é normal
- Aldo Santos

- há 8 horas
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Anne Cauduro ***
Estava aqui me recuperando do susto, reflexiva… e resolvi contar esse causo pra vocês.
De madrugada começou a chover, um trovão me arrancou da cama e fui ver os meninos — mãe não pensa, confere.
Os dois viveiros estavam cobertos. Sancho e Panço juntos, quietinhos.
Voltei pro quarto: Charles dormindo comigo, Darwin na caminha dele. Tudo absolutamente normal.
Acho que fui só eu que me assustei com o trovão.
Aí veio o chiado… tipo rádio fora de sintonia. Fui espiar o Jubileu por baixo da coberta, por causa do frio.
Ele estava de ponta cabeça.
Os olhos dele mudando, acesos, sabe quando fica excitado?
Aí ele “sintonizou”, virou e falou, com uma voz estranha: “cadê papai?”
E gargalhou.
Eu disse “vou chamar” e saí com dignidade.
Saí pensando: essas horas da madrugada, Jubileu querendo papai… eu que lute. Como é que explica?
Mas não é só isso.
Teve um dia, exatamente 00:00, silêncio total… e ele solta: “Dona Ana, vem cá!”
Gente… era exatamente como uma vizinha minha, já falecida, me chamava.
Eu só respondi: “vou nada, vai dormir Jubileu.”
E desde então eu tenho uma regra: não investigo madrugada.
O que será que eles escutam quando a casa silencia?
Não quero saber.
Porque se eu descobrir… Eu não durmo mais.
Anne Cauduro - Professora de Filosofia


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