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Gente, o Jubileu não é normal

 Anne Cauduro ***


Estava aqui me recuperando do susto, reflexiva… e resolvi contar esse causo pra vocês.


De madrugada começou a chover, um trovão me arrancou da cama e fui ver os meninos — mãe não pensa, confere.


Os dois viveiros estavam cobertos. Sancho e Panço juntos, quietinhos.


Voltei pro quarto: Charles dormindo comigo, Darwin na caminha dele. Tudo absolutamente normal.


Acho que fui só eu que me assustei com o trovão.


Aí veio o chiado… tipo rádio fora de sintonia. Fui espiar o Jubileu por baixo da coberta, por causa do frio.


Ele estava de ponta cabeça.


Os olhos dele mudando, acesos, sabe quando fica excitado?


Aí ele “sintonizou”, virou e falou, com uma voz estranha: “cadê papai?”


E gargalhou.


Eu disse “vou chamar” e saí com dignidade.


Saí pensando: essas horas da madrugada, Jubileu querendo papai… eu que lute. Como é que explica?


Mas não é só isso.


Teve um dia, exatamente 00:00, silêncio total… e ele solta: “Dona Ana, vem cá!”


Gente… era exatamente como uma vizinha minha, já falecida, me chamava.


Eu só respondi: “vou nada, vai dormir Jubileu.”


E desde então eu tenho uma regra: não investigo madrugada.


O que será que eles escutam quando a casa silencia?


Não quero saber.


Porque se eu descobrir… Eu não durmo mais.


Anne Cauduro - Professora de Filosofia

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@ 2020 ABC DA LUTA 

OS TEXTOS PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DOS AUTORES

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