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DOIS GOVERNOS.


Alberto Souza***



Sabe -se ter sido eleito apenas um governo em 2022, o de Lula. Na verdade , mais um, o do Congresso, com Lira à frente, como seu governo de fato. Eleição de projetos distintos: o de Lula, antineoliberal, antiprivatista, de diplomacia soberana, independente desta ou daquela potência econômica, contra reformas que tirem mais ainda direitos da classe trabalhadora; o de Lira , secundado por Pacheco, neoliberal, privatista, de tudo para o grande capital local e internacional, responsável por políticas de destruição de direitos de quem trabalha, para beneficiar a quem se enriquece cada vez às custas do povo.


Isso explica por que o governo 1, de Lula, não consegue enviar para Congresso nenhum projeto que possa contrariar o que representa o governo 2, chefiado por Lira, obrigando-se por exemplo, a emitir um Arcabouço Fiscal que, na realidade, não reflete o projeto econômico defendido em sua campanha, mas sim o da maioria absoluta do Parlamento. Uma peça com novo teto de gastos. Tudo para banqueiro, mínimo para o povo. Mesmo destino para a Reforma Tributária, impossibilitada de mexer com as grandes rendas de grupos econômicos, mormente da área financeira.

Projetos, de fato, do governo 2.


O governo 1 quer reverter privatizações, como a da Eletrobrás; o governo 2 não concorda, impõe sua lógica entreguista. O governo 1 quer revogar as Reformas da Previdência e Trabalhista; o governo 2 nem mesmo quer falar do assunto.

Enfim, o governo 1 tenta cumprir seus compromissos de campanha. O governo 2 o proíbe.


Que nas próximas eleições o campo progressista, antineoliberal, não faça mais campanhas eleitorais sem deixar claro as diferenças de projeto, mostrando que interesses defendem os partidos e seus candidatos não só para a presidência da República como também para o Congresso.

Sem este esclarecimento, a população continua votando em projetos diferentes, a seu favor e, ao mesmo tempo, contra si.

A aliança implícita de um candidato de esquerda a presidente do país com candidato a deputado ou senador, motivada por pragmatismo eleitoral, é um atraso, que tem de ser superado, para que vitórias eleitorais do povo não continuem apenas parcialmente.

Vitórias e derrotas, simultaneamente.


Alberto Souza - Ex vereador em subcampo, militantes sindical e educador popular.

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1 Comment


naoperes
naoperes
Sep 04, 2023

Muito boa sua análise, Alberto! Clara e direta. Não tínhamos a menor dúvida que seria desta forma, afinal nossa luta contra o grande capital e a defesa dele ditando as regras políticas, fazem parte da nossa centenária história. O que teria sido de nós se não tivéssemos vencido nas eleições?? Enfim... Sigamos firmes e fortes aos nossos princípios.

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