Biografia atualizada do Professor Aldo Josias dos Santos.
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Aldo Josias dos Santos, conhecido como Professor Aldo Santos, nasceu em 3 de agosto de 1953, em Brejo Santo (CE), filho de Josias Raimundo dos Santos e Maria Bevenuta de Jesus. Tem quatro filhos (Jardel Josias, Aldo Junior, Maria Irene, José Vitor e quatro netas, a saber: Duda, Gil, Lis e Maju). Ainda criança, migrou com a família para o estado de São Paulo, em uma viagem de dezoito dias realizada em pau‑de‑arara. Posteriormente, estabeleceu‑se em São Bernardo do Campo, cidade onde construiu sua trajetória de vida, profissional, acadêmica, sindical e política.
Antes de ingressar no magistério, exerceu diversas atividades profissionais. Trabalhou como bóia‑fria, auxiliar de protético, atendente e auxiliar de enfermagem, profissão que desempenhou durante doze anos no Complexo Hospitalar do Mandaqui.
Em 1979, fundou a Associação dos Funcionários do Complexo Hospitalar do Mandaqui, tornando‑se um dos organizadores da mobilização dos trabalhadores da saúde e contribuindo para a criação da ASSES – Associação dos Servidores da Saúde do Estado de São Paulo. Em razão de sua atuação sindical, foi transferido compulsoriamente para o Centro de Saúde do Sacomã e, posteriormente, afastado da área da saúde estadual.
Em plena ditadura, realizaram uma forte greve no Hospital do Mandaqui ao mesmo tempo que organizaram uma associação dos funcionários, uma vez que não podiam ter sindicato.
Ingressou no magistério público em 1985, na cidade de Diadema, participando das mobilizações promovidas pela APEOESP e da organização política junto aos trabalhadores e moradores do Jardim Santa Cândida.
Em 1989, passou a lecionar na rede pública de São Bernardo do Campo, onde permaneceu por muitos anos. Destacou‑se como professor da Escola Estadual Pedra de Carvalho, posteriormente municipalizada, além de atuar em diversas outras unidades escolares do município.
É licenciado em História, graduado em Filosofia, bacharel em Teologia, possui Mestrado em História e Cultura e Doutorado em Psicanálise, além de cursos de especialização e formação complementar.
Desde o início de sua militância, sua atuação tem sido voltada à defesa da educação pública, dos direitos humanos, da igualdade racial, da moradia digna, do transporte coletivo e da organização dos trabalhadores.
Vida parlamentar
Em 1988, foi eleito vereador de São Bernardo do Campo, iniciando uma trajetória parlamentar voltada à defesa da educação pública, da habitação popular, da mobilidade urbana e dos direitos sociais.
Presidiu por vezes a sessão da Câmara, visto que foi eleito vice-presidente e também secretário da instituição.
Entre suas principais iniciativas legislativas destaca‑se a autoria do projeto do Passe Livre Estudantil, voltado à ampliação do acesso dos estudantes ao transporte público. Também participou da organização do Comitê Unificado contra o aumento das tarifas de ônibus e demais modais de transporte do Grande ABC. Na Câmara Municipal, presidiu Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e atuou como relator de importantes investigações.
Na defesa da igualdade racial, apresentou, ainda em 1989, o primeiro projeto propondo a instituição das comemorações do Dia da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares, assassinato em 20 de novembro de 1695. Posteriormente, foi autor do projeto que instituiu o feriado municipal de 20 de novembro em São Bernardo do Campo e defendeu sua adoção em âmbito nacional, medida que viria a ser aprovada anos depois.
Entre outras iniciativas parlamentares, destacam‑se:
‑ projeto de alteração do nome da Vila Mussolini para Vila Olga Benário;
‑ projeto de revogação da Medalha João Ramalho, por considerar inadequada a homenagem em razão do papel histórico atribuído ao personagem na escravização e no tráfico de indígenas durante o período colonial;
‑ projeto que transformou o Núcleo Santa Cruz em Bairro Santa Cruz, no Riacho Grande;
‑ projeto de criação dos Conselhos de Escola na rede municipal de ensino;
‑ projeto de alteração do horário das sessões da Câmara Municipal para o período noturno, ampliar a participação popular;
‑ apresentação de dezenas de projetos de denominação de ruas, praças, escolas e equipamentos públicos, além de inúmeras indicações e requerimentos voltados às demandas da população.
Atuação comunitária e movimentos sociais
Morador do Jardim Independência desde o final da década de 1970, participou das lutas pela urbanização da região, quando o bairro ainda possuía infraestrutura precária.
Esteve envolvido nas mobilizações pela canalização do Córrego Feital, pela transformação do antigo Posto de Puericultura da Vila Rosa em Unidade Básica de Saúde (UBS), pela pavimentação das vias públicas, antes de terra e paralelepípedos, bem como implantação de equipamentos urbanos e outras melhorias para a população.
Também atuou junto às lideranças da Vila Galileia, Vila São Pedro e de diversos bairros populares do município, apoiando reivindicações voltadas à melhoria das condições de vida.
Sua militância esteve fortemente ligada aos movimentos de moradia, participando das ocupações da Vila Lulaldo, Vila Natanael, Vila Zilda e de outras Vilas e iniciativas em defesa do direito à habitação.
Também participou da mobilização em defesa dos moradores do Jardim Falcão, despejados por decisão judicial.
Em 2003, participou da ocupação do Acampamento Santo Dias, realizada na área onde posteriormente foi instalado o centro de distribuição das Casas Bahia.
Em decorrência dessa atuação, respondeu a processos judiciais durante as administrações do então prefeito William Dib e sofreu criminalização política no governo do então governador Geraldo Alckmin.
Segundo seu relato, foi condenado por improbidade administrativa, recebendo sanções que incluíram a perda por 5 anos, dos direitos políticos e multa em torno de 2 milhões de reais, além da inscrição no rol de condenados da justiça brasileira. É vítima também de medidas de execução patrimonial, culminando na tentativa de penhora de sua residência e no leilão de seu automóvel para pagamento da condenação.
Atuação política
Ao longo de seus mandatos, foi apontado diversas vezes pelo Projeto RX das Câmaras, do Jornal Diário do Grande ABC, como um dos vereadores de maior destaque de São Bernardo do Campo e da região.
Na vida partidária, foi candidato a Deputado Estadual, Deputado Federal, Vice- Governador do Estado de São Paulo pelo PSOL e, por três vezes, candidato à Prefeitura de São Bernardo do Campo, participando da construção e consolidação do partido no município e no estado.
Educação e movimento sindical
Participou das principais mobilizações dos trabalhadores da educação nas últimas décadas, incluindo greves do magistério paulista, a ocupação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e a organização sindical dos professores.
Foi precursou na fundação e organização da APROFFESP e da APROFFIB e atualmente exerce o cargo de Vice-Presidente da Aproffib, Diretor Estadual da APEOESP e Militante do PSOL.
Produção intelectual
É autor e coautor de diversas obras, entre elas:
Memórias de Infância;
Vila Lulaldo – Da Lei do Barbante à Regularização Fundiária;
A Luta Faz a História;
Movimento Negro: Embate Político e Jurídico;
Moradia em Movimento;
A Filosofia Toma Partido;
Rumo à Estação Catanduva;
A História da Flor, Ela Tem a Cara do Avô;
A Psicanálise no Ambiente Escolar;
Cartilha João Ramalho: De Traficante de Índio a Nome de Medalha.
Parte dessas obras foi escrita em parceria com a jornalista Ana Valim, abordando temas relacionados à história, educação, memória, direitos humanos, psicanálise e movimentos sociais.
Atualidade
Atualmente, dedica‑se às lutas em defesa da educação pública, atua como professor de Filosofia no Cursinho Popular Passo à Frente, voltado aos estudantes da periferia, e participa dos Comitês de Solidariedade e do Comitê Anti‑imperialista do Grande ABC, além de atividades no Psol.
Também segue ruminando sobre as consequências da condenação judicial decorrente de sua atuação nos movimentos de moradia.
Síntese
Professor, escritor, sindicalista e militante dos movimentos populares, Aldo Josias dos Santos construiu uma trajetória marcada pela defesa da educação pública, da justiça social, da democracia, da igualdade racial, da moradia digna, dos direitos da classe trabalhadora e dos ideais comunistas, mantendo intensa atuação política, acadêmica, sindical e social ao longo de mais de cinco décadas.
Sua trajetória pode ser sintetizada em uma frase de sua autoria:
"Na vida, não basta apenas tentar viver. Ter coragem de lutar com e pelos despossuídos faz toda a diferença filosófica".
Lutas, sonhos e rebeldias que seguem."
Destaca ainda a profunda reflexão de Olga Benário:
"Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo."
Aldo Josias dos Santos.
São Bernardo do Campo, 29 de julho de 2026.
Obs. Biografia solicitada Pela companheira Wanda, para exposição em atividade pública.



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