31 de Março: o dia em que a democracia foi sequestrada e cujas feridas ainda sangram no Brasil!
- Aldo Santos

- há 3 horas
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Sérgio Linhares Hora***
O dia 31 de março não pode ser tratado como uma data qualquer no calendário brasileiro. Ele marca o início de um período sombrio da nossa história: a Golpe Militar de 1964, que instaurou uma ditadura que duraria mais de duas décadas. Não foi uma “revolução”, como por muito tempo se tentou afirmar, mas uma ruptura violenta da ordem democrática, que interrompeu direitos, silenciou vozes e perseguiu aqueles que ousaram pensar diferente.
Durante esse período, o Brasil viveu sob censura, repressão e medo. Instituições foram enfraquecidas, o Congresso foi fechado em diversos momentos, e a liberdade de expressão foi duramente atacada. Artistas, estudantes, professores e trabalhadores foram perseguidos; muitos foram presos, torturados e até mortos pelo Estado. Órgãos como o DOI-CODI simbolizam até hoje a face mais cruel desse regime.
Além da violência direta, a ditadura deixou marcas profundas no desenvolvimento do país. Ao contrário do discurso que tenta associá-la a progresso e ordem, o que se observa é um legado de desigualdades aprofundadas, concentração de renda e um modelo econômico excludente. A educação foi controlada, o pensamento crítico foi desencorajado, e gerações cresceram sob a lógica do silêncio e da obediência.
As consequências desse período ainda são sentidas hoje. A fragilidade da nossa democracia, a naturalização da violência policial, a desvalorização da memória histórica e até mesmo discursos que relativizam a tortura são heranças diretas de um passado que não foi plenamente enfrentado. A ausência de uma justiça de transição mais efetiva contribuiu para que muitas dessas feridas permanecessem abertas.
Como professor de História, assumir uma postura crítica diante desse passado não é uma escolha, mas um compromisso. Em sala de aula, é fundamental fazer o contraponto às narrativas que tentam suavizar ou justificar a ditadura. Explicar, com base em fatos e documentos, que esse período trouxe inúmeros atrasos ao Brasil políticos, sociais e culturais é parte do processo de formação de cidadãos conscientes.
Ensinar sobre o 31 de março é, acima de tudo, ensinar sobre democracia. É mostrar que direitos não são garantias permanentes, mas conquistas que precisam ser defendidas diariamente. E é também reafirmar que lembrar é um ato político: lembrar para que não se repita, lembrar para que nunca mais se naturalize o autoritarismo como solução.
Sérgio Linhares Hora
Professor, membro da direção da APEOESP, presidente do Instituto Vida e membro do Bloco do Fuá.


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