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Que Deus, que Pátria, que Independência é essa?


Prof. Chico Gretter*


As manifestações de ontem revelam apenas que há uns 30% ou mais de brasileiros conservadores, muitos dos quais são reacionários, crentes num Deus que "está no controle" de suas vidas, tudo explica, providencia e mesmo justifica as nossas desigualdades imensas, um "deus" que é, ao mesmo tempo, poderoso, autocrático, patriarcal e também neoliberal, intimista, mágico, cuidador e que, quando necessário, castiga seus filhos e até mesmo os manda para inferno. Esse tipo de "deus" é louvado por generais, machistas, políticos autoritários e defensores da "família cristã" burguesa, de nossa hipocrisia moral e nosso medo das incertezas da vida, embora falemos o tempo todo em liberdade, amor e do "céu".

Esse tipo de "deus" geralmente é representado por ditadores que sempre gritam "Senhor, Senhor", para justificar seu autoritarismo e seus pecados inconfessáveis e “imbrocháveis”! Esse pretensos liberais-conservadores-autoritários-machistas precisam desses 30% para continuarem governando e praticando suas bravatas e acumulando riquezas aqui na Terra enquanto vendem um paraíso ajudados seus pastores e falsos profetas, que também acumulam bens e privilégios para si e seus apaniguados. E como essas figuras fascistóides não têm de fato o Poder de Deus, eles contam com o apoio estratégico de velhos generais e sua camarilha sempre disposta a impor sobre os discordantes a "ordem e o progresso" a ferro e fogo, tudo em nome da liberdade e da segurança que prometem para os obedientes. Em nome da pátria e da família (cristã-burguesa-ideal) e em nome de Deus, todos estes pretendem apenas uma coisa: impor sua visão de mundo, seus valores pretensamente universais, sua moral e seu modo de vida.

A este tipo de postura ideológica, moralista, patriótico-nacionalista acompanhada de práticas autoritárias e até violentas em relação à vida política e social, damos o nome de fascismo que dominou os governos ditatoriais nos anos 30 na Europa, tendo como ápice o totalitarismo nazista alemão!

Porém, aqui no Brasil tupiniquim, embora haja racismo, não se fala numa "raça ariana", pura, superior, mas inventa-se um "povo" e uma "pátria" ideais que só existe na cabeça dos ingênuos ufanistas, dos cretinos e de "ridículos tiranos" que perpetuam a incompetência e a alienação de nossa América católica, evangélica, espírita, cristã, umbandista, América de todos os santos, demônios, duendes e orixás. "O que será que será que será que será"??? São Paulo, 08/09/2022 - Prof. Chico Gretter - no 200° ano da Independência do Brasil e de muitas mortes!


*Chico Gretter é professor de Filosofia e História há mais de trinta e cinco anos, filósofo, músico, Conselheiro Estadual da APEOESP e presidente da APROFFESP.

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