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Precisamos falar sobre a violência com nossas crianças


Bruna Santinho*



Duas crianças estão com uma carinha triste cochichando a todo o momento. Insisto para tentar entender o que está ocorrendo. Pode confiar. A criança diz:

- Ninguém vai acreditar em nós. Não adianta falar.

Insisto que diga. Ela manda na lata:

- Você acha que vai ter atentado aqui?


O que poderia dizer? Em poucos segundos, antes mesmo de digerir e elaborar alguma resposta ele diz:

- Você acha que a escola é segura?


Eu digo que infelizmente esse tipo de coisa tem ocorrido que eu estava muito triste e que ainda existe risco de acontecer novamente que devemos nos unir. Estabelecer laços de afeto. Estar atentos e escutando os colegas. Qualquer dúvida quanto a algum colega precisa ser reportado a algum adulto. Que a gente não pode deixar ninguém isolado e ninguém em sofrimento e não fazer nada e que a gente não pode fazer parte de contextos que produzam sofrimento nos colegas.


Disse que a escola é segura pois tem bastante funcionários atentos. Eu não poderia dizer que não vai acontecer nada, pois vai acontecer novamente. Só não sabemos onde e quando.


Ainda por cima falei algo quase que responsabilizando a nós mesmos e, pior, às próprias crianças. Acho um peso grande para carregar e a gente o carrega isolados/as. A repercussão nas escolas desse último caso foi pequena. Pouco se fala. Medidas simples não se encaminham.


Ainda menti, pois não é verdade que a escola é segura. Ter funcionários não garante grande coisa. Talvez um pouco menos vulnerável do que escolas sem funcionários. Mas sendo uma escola de relações frias esse aspecto não garante muita coisa. Parecemos zumbis. Apatia. Inércia. Não é atoa que nós professores/as adoecemos.


Claro que a solução é mais geral e estrutural. Depende de quem tem poder, quem governa. Então, as formiguinhas como nós têm pouca ingerência; só que não fazer nada é realmente terrível. É como não se importar e acreditar que não vai ocorrer conosco e com os nossos. Quem tem filhos precisa conversar sobre essas coisas com eles. Não é simples. Precisa ser cuidadoso, mas temos que falar. Precisamos ter coragem e abrir o diálogo, escutar mais do que falar!



*Bruna Santinho, socióloga e pedagoga. Professora da rede estadual Paulista e da FITO (Fundação Instituto Tecnológico de Osasco)


Revisor/Editor: Prof. Chico Gretter, professor há 35 anos, mestrado em Filosofia e História da Educação, presidente da APROFFESP.

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