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“Rumo à Estação Catanduva...” Uma Jornada de Resiliência e Transformação (1950-1971)


Professor Fagundes***



No início da década de 50, Aldo Santos, uma criança no Ceará, viu-se diante da seca, miséria e fome que assolavam sua cidade natal. Com a determinação de proporcionar uma vida melhor para sua família, seus pais, juntam o pouco que lhes resta e embarcam em uma jornada de 17 dias, desprovida de cuidados humanitários, enfrentando privações inimagináveis em busca de dias mais promissores e um refúgio humano.

Nesse período, o Brasil vivia sob o governo de Getúlio Vargas, em meio a um processo de industrialização e urbanização, embora as desigualdades persistissem, especialmente nas áreas rurais. O Nordeste, atingido pela seca, testemunhava a migração em massa de suas comunidades em busca de uma nova chance. Enquanto Aldo enfrentava as agruras dessa jornada, o mundo estava imerso na Guerra Fria, uma era de polarização ideológica entre os Estados Unidos e a União Soviética, que deixava o planeta tenso e dividido. Aldo, como a maioria dos retirantes da época, encontrou na lavoura a única alternativa de subsistência. Contudo, em fins de 1969, um revés de saúde abalou suas estruturas. Contraiu uma enfermidade grave, desencadeando dor, desespero, medo e angústia para ele e sua família, que não dispunha de recursos para tratá-la na região.

Em condições financeiras precárias, Aldo embarcou em uma jornada em busca de socorro. Entre idas e vindas a diversos hospitais, enfrentou o descaso e o preconceito direcionado aos tuberculosos. Já dentro de ambulâncias desgastadas e carentes de estrutura, Aldo percorreu o ano de 1970 na agonia de um dia encontrar a paz. Passando por cidades como Jales, São Bernardo do Campo, Santo André, São Paulo e Catanduva, Aldo persistiu em sua busca incansável por tratamento e cura. Foi apenas em 1971 que, em uma cirurgia, conseguiu finalmente resolver seu problema, escapando por um triz da morte.

A jornada de Aldo Santos é um testemunho de resiliência e determinação. Seu exemplo nos ensina que, mesmo diante das maiores adversidades, é possível encontrar forças para seguir em frente. A solidariedade e o apoio mútuo da família foram fundamentais para enfrentar os desafios. Aldo nos mostra a importância de estarmos ao lado daqueles que amamos nos momentos mais difíceis. Sua busca por uma vida digna é um lembrete de que todos merecem condições de vida justas e oportunidades para prosperar. Aldo nos convida a refletir sobre a necessidade de uma consciência social e política ativa, pois após sua luta contra a doença, Aldo se transformou em um líder sindical notável, um militante dos direitos humanos, um pai exemplar, professor e político dedicado. Sua vida é um exemplo de como as experiências mais desafiadoras podem nos impulsionar a lutar por um mundo mais justo e igualitário.

Aldo Santos é um ser humano admirável, cuja trajetória nos inspira a enfrentar os desafios da vida com coragem, determinação e compaixão. Que sua história continue a nos guiar na busca por um futuro melhor para todos.


Professor Fagundes – Formado em Física e Matemática pela Universidade de Mogi das Cruzes. Pós-graduação nas áreas de Educação de Jovens e Adultos, Psicopedagogia Clínica e Hospitalar, e Gestão Escolar. Seu envolvimento com a educação transcende a teoria, refletindo-se em papéis práticos como Coordenador Pedagógico na prefeitura de SBC e como professor titular de Física no estado de São Paulo. Militante Sindical e políticos atuando em várias frente desde 1992 na APEOESP, SINDISERV e PSOL.



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