Milhares de pessoas protestam em frente ao Consulado Americano em São Paulo
- Aldo Santos

- 6 de jan.
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Aldo dos Santos***
Neste domingo, jovens com diferentes trajetórias e tempos de militância compareceram ao protesto realizado em frente ao Consulado Americano, em São Paulo. A manifestação foi motivada pelo que os participantes classificam como atos criminosos e abjetos do presidente norte-americano, Donald Trump, acusado pelos manifestantes de promover ações deliberadas de morte em ataques premeditados, bem como o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cilia Flores, sua companheira — fatos que, segundo declarações oficiais, teriam sido tratados como um “espetáculo cinematográfico”.

O mundo se levanta contra essa atrocidade. Contudo, no contexto da luta de classes, as matanças na América e em outras partes do mundo se inserem em processos históricos profundamente repugnantes. Desde a invasão da América pelos europeus, que se lançaram aos mares em busca das riquezas dos territórios a serem colonizados, utilizaram-se tratados geopolíticos para fatiar o mundo, ampliar domínios e consolidar relações de dominação. Esse processo ocorreu por meio da escravização de povos originários e de africanos, da violência sistemática, da imposição cultural, da fé cristã e da catequização forçada, com o objetivo de garantir a submissão total aos colonizadores.
Na colonização, o extermínio de povos originários e de negros escravizados tornou-se a marca registrada dos facínoras da história da classe dominante. Essa é a verdadeira face da necropolítica do imperialismo estadunidense.
Por mais que o nazifascismo tente nos cercar, eliminar fisicamente nosso povo e estrangular nossas esperanças por meio da imposição de costumes e valores, nossa classe não se sucumbe. O dia deles há de chegar. A classe operária, neste momento de conjuntura histórica, precisa se reorientar diante das guerras diretas às quais está submetida.
Enquanto eles professam a doutrina de que “a América é para os americanos”, nossa consigna deve responder com urgência: a construção orgânica de um potente partido internacional da classe trabalhadora, unificado em bases programáticas comuns. A opressão, a colonização e a matança do nosso povo são internacionais; portanto, nossa resposta também deve ser. É preciso lutar por uma nova ordem mundial, fundada em outros pressupostos paradigmáticos.
O chamado histórico de 1848, publicado no Manifesto Comunista por Karl Marx e Friedrich Engels, segue pulsando nos corações e mentes da classe trabalhadora mundial:

“Trabalhadores do mundo inteiro, uni-vos!”“Os trabalhadores não têm nada a perder em uma revolução comunista, a não ser suas correntes.”
Acrescentamos ainda a célebre tese de Marx: os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que importa, porém, é transformá-lo. Eu diria mais: é preciso organizá-lo para transformá-lo.
Como nos lembra Rosa Luxemburgo, mesmo em meio às trevas é possível sorrir à vida, como se conhecêssemos a fórmula mágica capaz de transformar o mal e a tristeza em claridade e felicidade. Seu chamado permanece atual: há todo um velho mundo a ser destruído e um novo mundo a ser construído. E nós conseguiremos, jovens amigos, não é verdade?
Portanto, se quisermos igualdade, liberdade e felicidade, precisamos organizar urgentemente a classe trabalhadora.
Lutar, revolucionar, resistir e vencer os assassinos do nosso povo é preciso!
Aldo dos Santos - Vice-Presidente da APROFFIB, Diretor Estadual da APEOESP; Professor de Filosofia, Psicanalista e Escritor
05/01/2026(Fotos: Giovana Santos)


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