Luíza Mahin: uma escrava guerreira e rebelde


Por. Antonio Lucas.



(Breve contraponto à Princesa Isabel e ao 13 de maio)


Negros que escravizam

E vendem negros na África

Não são meus irmãos

...

Negros opressores

Em qualquer parte do mundo

Não são meus irmãos

Só os negros oprimidos

Escravizados

Em luta por liberdade

São meus irmãos

Poemas Antológicos (Solano Trindade)


Corria o ano de 1835. Na Bahia eclodiu um levante de escravos que ficou conhecido como a Revolta dos Malês. Os escravos maleses eram muçulmanos e diferentemente da grande maioria dos negros, que formavam mais da metade dos cerca de 20.000 habitantes da Bahia, sabiam ler e escrever.

Luíza Mahin foi uma das principais figuras desta revolta. Em 1830 deu à luz a um filho, Luís Gama, que mais tarde se tornou poeta, advogado e abolicionista- conseguido libertar mais ou menos 500 negros escravizados. Sobre sua mãe escreveu o grande advogado dos escravos;

“Sou filho natural de uma negra africana, livre, da nação Nagô, de nome Luíza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã”.

Luíza foi uma mulher inteligente e rebelde. Quituteira de profissão de seu tabuleiro eram distribuídas as mensagens, em árabe, por meio dos meninos que pretensamente comprovam seus quitutes. Desse modo, sua casa tornou-se quartel general das principais revoltas negras que ocorreram em Salvador em meados do século XIX, dentre elas a chamada Grande Insurreição de 1835.

Luíza conseguiu escapar da violenta repressão, que se bateu sobre os revoltosos, promovida pelo governo da província e partiu para o Rio de Janeiro. No Rio, tudo indica que tenha participado de outras rebeliões de escravos, sendo presa e deportada para à África.

Durante muito tempo – hoje menos, felizmente – a princesa Isabel foi reverenciada nos livros de História. Mulher caridosa que num gesto de extrema bondade assinou a Lei Áurea acabando com a escravidão no Brasil. Virou nome de escolas, praças e avenidas. Estátuas foram erguidas em sua homenagem.

Aqui vale lembrar o livro “Meus Heróis na Viraram Estátua” do roteirista e diretor de cinema Luiz Bolognesi e do historiador Pedro Puntoni

E os heróis e as heroínas negras? A abolição da escravidão foi uma generosa concessão? Não houve lutas, resistências, os escravos não reagiram?

A História oficial nega a dar visibilidade ao povo negro na construção do nosso país. Nesse sentido, heróis e heroínas negras, como Zumbi, João Cândido, Luiza Mahin, Dandara – entre outros e outras – que lutaram pela liberdade e dignidade do povo negro, são ocultados (as).

É a manipulação da História a serviço das classes dominantes!


Antonio Lucas Maciel

Prof.de História e Sociologia da Rede Pública de Ensino Estadual Paulista


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