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Lágrimas do Rio Grande: O Grito Silencioso de Caramelo



Professor Fagundes***




A situação de enchentes no Rio Grande do Sul é realmente desoladora e merece toda a nossa atenção e reflexão. A imagem da égua Caramelo, em pé sobre um telhado, aguardando resgate por cinco longos dias, é um retrato chocante da tragédia que se abateu sobre tantas vidas, humanas e animais. Neste momento de dor e destruição, somos confrontados com a cruel realidade do impacto humano no meio ambiente. Enquanto muitos apoiam o desmatamento e a destruição da natureza, vemos animais inocentes como Caramelo lutando pela vida em meio às águas avassaladoras.

No auge da tragédia, Caramelo erguia-se no telhado, suas patas feridas testemunhando não apenas sua luta pela vida, mas também a dor de um mundo natural desequilibrado. Recordando as palavras de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais, 'Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz.' Que a dor de Caramelo seja um chamado para a compaixão e a ação, lembrando-nos da nossa responsabilidade em proteger e preservar todas as formas de vida neste planeta.

Esta citação de São Francisco de Assis nos lembra da importância de sermos agentes de paz e de preservação da vida em todas as suas formas. Que este momento difícil nos faça refletir sobre a urgência de cuidarmos do nosso planeta e de todos os seres que nele habitam, para que tragédias como esta não se repitam e para que possamos construir um futuro mais sustentável e humano.

A atual situação de calamidade no Rio Grande do Sul não apenas expõe a dor e o sofrimento das famílias afetadas, mas também destaca a necessidade premente de engajamento dos parlamentares em questões climáticas e de preservação ambiental. É alarmante perceber que, enquanto apenas uma deputada, do PSOL, direcionou verbas para o desenvolvimento sustentável e a proteção do meio ambiente, todos os outros representantes da bancada do Rio Grande do Sul ignoraram essa preocupação crucial. Em vez disso, priorizaram exclusivamente questões econômicas, focados na produtividade e na produção agrícola para alimentar um mercado capitalista voraz que não valoriza a vida em todas as suas formas. Parte da população desse estado compartilha dessa visão, o que torna ainda mais urgente repensar nossas prioridades e posturas. Esta tragédia deve servir como um alerta contundente, mostrando que precisamos mudar nossas atitudes e políticas antes que seja tarde demais, evitando assim mais aprendizados dolorosos que só agravam as consequências devastadoras para o meio ambiente e para as gerações futuras.

Enquanto Caramelo permanecia em pé sobre o telhado, suas patas cansadas refletiam não apenas o desespero de um animal em busca de salvação, mas também o grito silencioso de um ecossistema em perigo. Como disse Chico Mendes, 'No começo, eu era apenas uma árvore. Hoje, sou a voz da floresta'. Que o sofrimento de Caramelo nos impulsione a sermos não apenas observadores, mas também defensores incansáveis da natureza e de todos os seres que nela habitam.


Professor Fagundes – Formado em Física e Matemática pela Universidade de Mogi das Cruzes. Pós-graduação nas áreas de Educação de Jovens e Adultos, Psicopedagogia Clínica e Hospitalar, e Gestão Escolar. Seu envolvimento com a educação transcende a teoria, refletindo-se em papéis práticos como Coordenador Pedagógico na prefeitura de SBC e como professor titular de Física no estado de São Paulo. Militante Sindical e políticos atuando em várias frente desde 1992 na APEOESP, SINDISERV e PSOL.

 

 

 

 

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naoperes
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"Quando despersonalizamos o rio, a montanha, quando tiramos deles seus sentidos, considerando que isso é atributo exclusivo dos humanos, nós liberamos estes lugares para que se tornem resíduos da atividade industrial extrativista. Do nosso divórcio das integrações e interações com a nossa mãe, a Terra, resulta que ela está nos deixando órfãos..." Ailton Krenak em Ideias para adiar o fim do mundo.

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