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Crônica do dia 26 de Dezembro.


Aldo dos Santos***



No domingo do dia 25 de dezembro de 2022, uma mistura de alívio e preocupação estava em todos os lugares.

Alívio pelo esperançar que se avizinha com a mudança de governo no próximo final de semana e de preocupação com o novo governo que virá!


Na atividade festiva do dia 25, foi bastante entusiasmada a cantoria da juventude da música “ tá na hora do Jair, já ir embora...”

No dia 26 pela manhã, as sobras e o lixo da festa são colocados para o caminhão de lixo levar embora.

Três discursos foram dignos de registro.

Vizinho. Vou pegar umas latinhas para vender que a coisa não está fácil. Embora o preço da latinha tenha caído de 10 reais para cinco reais o quilo, mesmo assim, acaba ajudando em alguma coisa. Mas vou pegar só um pouco para deixar para outros que vão passar por aqui também.

Ouvi atentamente a observação do vizinho e me alegrou a preocupação solidária do mesmo em pensar nos outros que precisavam de latinhas também para vender.

Uma meia hora depois, abri o portão e tinha um senhor com aparência de 70 anos que estava separando o restante das latinhas que o vizinho tinha solidariamente deixado.

Ele disse que estava colhendo as latinhas e que o lixo ficaria todo organizado, visto que muita gente recolhe e deixa o lixo todo aberto de esparramado.

Perguntei sobre o preço das latinhas e tinha confirmado que o preço estava em baixa e que iria guarda-las para vender depois quando o preço melhorasse.

Ele afirmou que precisava de cerca de 75 latinhas para dar um quilo e que fazia essa catança há muito tempo.


Disse: preciso esperar o preço melhorar, pois não sabemos como será o ano que vem, com o novo governo.

Perguntei: mas o governo que vai entrar certamente será bem melhor do que o atual?

Ele retrucou: Não votei em nenhum dos dois e o que vai entrar é um presidiário que roubou o povo e nem merecia ir para o governo novamente.

Perguntei se o Bolsonaro foi um bom governo, ele disse que não tinha nada a reclamar.

Confesso que fiquei enfezado!

Retruquei dizendo que o governo atual era um criminoso conforme atuação na pandemia, muito gente passando fome e na miséria, mas nada o fez mudar de opinião.

Disse que já tinha sido metalúrgico, tinha ficado desempregado e o Lula era uma boa pessoa, mas, com a infiltração e a influência comunista, ele não merecia mais seu voto nem apoio.

Eu disse a ele que o comunismo era melhor do que o capitalismo e ele nem ligou para minha narrativa.

Reafirmou que não tinha votado em nenhum dos dois, mas no lula nem pensar pela sua aproximação com a Rússia, China, Venezuela e Cuba e que não queria o comunismo no Brasil.

Virei as costas, fechei o portão e deixei aquele mundo lá fora.

Uma meia hora depois, bateram no portão novamente e verifiquei que era o moço que tinha alugado mesas e cadeiras para atividade festiva que aconteceu do dia 24 para o dia 25.

Abri o portão e ele começou a conferir se estava tudo em ordem. Começou reclamando que fazia aquilo há vários meses, enalteceu a dona da empresa que tinha um grande galpão no litoral, e com sua idade já estava cansado e com dores no corpo.

Fiquei refletindo e dando razão a ele, que não era fácil o trabalho intenso e o peso que estava carregando de uma só vez.

Ele disse então: mas preciso trabalhar antes que as coisas piorem, com o novo governo no início do ano.

Perguntei se o trabalho no atual governo estava bom, visto que estava reclamando.

Ele disse que a economia com o ministro Paulo Guedes estava muito bom, apenas o Bolsonaro que era boca aberta e falava muito, mas que era um bom governo preocupado com a fé do povo, com a moral da sociedade e o combate ao comunismo.

Num discurso aparentemente ensaiado, disse: como já se viu um presidiário ser inocentado e ser presidente novamente num pais que está se aprumando?

Afirmou que já tinha votado no Lula e na Dilma, mas agora era demais essa nova oportunidade a alguém que é ladrão.

Disse a ele que tudo isso era uma armação e que eu conhecia o Lula, o atual governo não prestava e Lula vai melhorar a vida do povo como já fez em anos anteriores.

Ele desconversou, dizendo que iria descansar no final de ano na cada do filho no litoral e ainda perguntou se eu iria também descansar. Disse a ele que iria pra lua e que iria apoiar firmemente o governo do Lula para melhorar a vida do povo.

Finalizou a conversa dizendo que precisava descansar o corpo e o espirito no final de ano.

Comentei com ele sobre sobre o exemplo do homem que catava latinha dizendo que o país estava bem, mesmo com cerca de 40 milhões de famintos.

Ele disse que estava empregado e já sofreu na pele o desemprego dos governos que ele criticava.

Diante das narrativas desta manhã fiquei refletido sobre o ocorrido.

Diante das falas resolvi ligar a antena da preocupação com o discurso afinado da oposição, relembrando a música cantada com entusiasmo pela juventude no domingo, dia do nascimento de um novo esperançar “Tá na hora do Jair, já ir embora..”


Aldo dos Santos- Professor de Filosofia, Dirigente sindical e Psicanalista.

26/12/2022

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