As eleições de 2022 e a possível aliança de Lula com Alkimim/PSD


Por: Altair Lourenço*



As eleições de 2022 e a possível aliança de Lula com Alkimim/PSD, do Centrão e da base Governista. A chapa que vem sendo cogitada para compor a esquerda liberal tende a agradar o presidente Bolsonaro e também a esquerda que se proponha a apresentar uma chapa que possa discutir com a sociedade um programa fora do sistema.

A chapa composta com PT e Alkimim em que o Lula deseja pode ser bom para a esquerda composta por parte do PSOL/PCB/PSTU se livrar do discurso da falsa democracia como um bem sagrado.

O Alkimim, muito esperto não aceitou se filiar no fraco e dividido PSB, acabou indo para PSD, partido forte e que compõem a base do governo Bolsonaro e faz parte do centrão, sem falar que o PSD possui uma das maiores bancadas do chamado centrão, tendo o Kassab como o cacique nacional. Sendo assim o Geraldo Alkimim teria grande espaço e escolheria a candidatura dele sem disputas e em 2026 ele seria candidato natural e quem sabe até pelo o PT.

O Lula já percebeu esse movimento e está fazendo acordo com o centrão no Nordeste para governar no próximo mandato. Ele vem convocando a imprensa para fazer a cobertura, já sinaliza que não vai ter golpe e que ele democraticamente irá governar com o parlamento que está no poder várias décadas.

O Lula vem construindo o isolamento de todas as outras candidaturas de direita, centro e da chamada esquerda. Assim construindo uma polarização entre ele e o Bolsonaro, sendo que o Bolsonaro ficará somente com seus percentuais de seguidores sem apoio da maioria dos partidos da atual base. Esse isolamento ficou muito claro quando o Lula se reuniu com o Carlos Lupy para garantir que o PDT orientasse parte da sua bancada para aprovar a PEC 23 que envolve o pagamento do bolsa Brasil, securitização da dívida e emendas secreta que envolve também o calote dos precatórios.

Esse filme sempre se repete, principalmente em relação simbiótica entre o PSOL e o PT, antes da eleição o Psol entra na coligação. Quando o PT for pautar e dar continuidade das reformas do capital o PSOL não se alinha com o centrão, exceto alguns projetos de reformas como ocorreu com PEC 10/2020 que repassa alguns trilhões do tesouro para o banco central comprar títulos pobres da banca privada. Ai o PSOL se separa do PT e passa fazer o pseudo discurso de oposição para não perder sua base religiosa. Depois aparece a figura de outro chamado “ditador”. Assim fica estabelecido um ciclo em prol do capitalismo e a base de sustentação continua a mesma.

Não podemos esquecer que para o Marx a história evolui linearmente e só se repete como farsa. Todo esse movimento eleitoral faz sentido, porque os partidos da chamada esquerda, principalmente o PSOL não faz oposição mais contundente e até vem votando em algumas questões como votou a favor da PEC 10, exceto o Glauber Braga do Rio de Janeiro. Essa tal PEC10/2020 repassou em torno de 3 trilhões do tesouro nacional para o banco central comprar títulos podres dos bancos privados. Operação parecidas foi usada no governo do Fernando Henrique para que fosse privatizada as estatais, como a vale do Rio Doce, usando esses títulos podres. Desta forma a vale foi entregue e não entrou nenhum centavo no caixa da união.

Agora o bolsa Brasil foi aprovado em primeiro e segundo turno com votos do PDT para garantir que pudesse passar, sendo que o Lula se reuniu com o cacique do PDT Carlos Lupy para que isso fosse possível, já que estava faltando votos. A PEC 23 vem com três elementos básicos, sendo o calote nos precatórios dos funcionários públicos, principalmente a dos professores em relação ao FUNDEB. Outros pontos são a securitização da dívida através da desvinculação dos impostos do orçamento que irá para a rede bancária para ser destinado para o capital fictício e também para as emendas secretas para comprar deputados para continuar dando apoio aos projetos de reformas econômicas liberais.

O PSOL através do bloco majoritário que defende a aliança com a tal frente ampla em torno Lula e dos partidos do centrão está deixando bem claro que quer fazer parte da festa capitalista em que vem destruindo o estado enquanto organizador e planejador do sistema produtivo e com isso aprofundar no liberalismo. Cabendo o papel do Brasil na geopolítica de pais reprimarizado, como mero fornecedor de matéria prima,sem sistema produtivo complexo que possa gerar trabalho e valor.


Altair Lourenço: Professor da rede Pública Estadual e do Psol


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