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APEGOS E ELOS



Deobaldo Barbosa da Silva***



Ano sensacional

do período ginasial

quinta, sexta, sétima

e, dentre todas as séries

a oitava, fora do normal.

Os nossos

chamegos

elos e apegos envolveram

todos os alunos em aspectos

de ordem emocional.

Fenomenal ...

Lembro-me da professora

de matemática, Antonina

uma pessoa divina

de descendência italiana

com um astral sempre

para cima.

O diretor era organizado

elogiava o que é certo e

atentava para o que

era errado.

Éramos alunos inquietos

de comportamento agitado

a nossa criatividade não foi

deixada de lado

participávamos das atividades

o professor era respeitado.

A professora Lurdes

orgulhosamente me escolhia

para representar a escola nas

olimpíadas de História e Geografia.

O elo entre alunos e professores

que antigamente existia

não é mais a mesma coisa

das relações de hoje em dia.

A classe, na "sapecagem"

o teatro desenvolvia

levava sério as aulas de arte

ciência e tecnologia.

A amizade entre nós, alunos

era o que mais persistia.

A nossa afetividade

nunca se desfazia.

Fomos ovacionados

pela diretoria

escolhidos como a melhor

classe desde o período em

que a escola se erguia.

Um certo dia,

em aula,

a professora de português

Edna me abordou.

A classe silenciou

ela disse: "Você já refletiu

que tem tendência ao humor?"

"pode ser um humorista"

a professora falou.

Eu baixei a cabeça e fiquei

envergonhado

a classe logo sorriu

eu não conseguia olhar

nem mesmo para os lados.

Eu só olhei para a professora

que tinha um rosto rosado

um olhar penetrante num

gesto angelicado.

Continuou a falar

fui de novo observado.

Disse ela: "Você é um menino

muito vocacionado e é

muito criativo

não fique encabulado

procure sua vocação

vai ser abençoado".

"Não é um perturbador

com o seu jeito danado".

Os meninos da classe

me olharam

um tanto admirados.

O olhar da professora

tinha tanta ternura

que fiquei emocionado.

Trago em mim a memória

desse momento sagrado.

Dos elos e os apegos e de como fui

educado.


Autor - Deobaldo Barbosa da Silva - Professor de História.


Obs: poesia publicada pela Savasti editora, 2021.


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