A GUERRA NA UCRÂNIA E A OTAN


Por:Alberto Souza***



Os imperialismos, mormente o americano, criaram seu gigantesco bloco militar, sob o pretexto de se defenderem contra a União Soviética e o Pacto de Varsóvia. No momento do fim da URSS e do bloco militar que liderava, Korbachov chegou a ter o compromisso do governo estadunidense de que a Otan evitaria atrair países do Leste Europeu. Não se expandiria, portanto. Falou-se até do fim desta organização, porquanto manté-la já não teria razão de ser, injustificável.


Contudo o que aconteceu foi o oposto, a sua expansão, inclusive, tendo como novos membros países que integravam a União Soviética, como Lituânia, por exemplo. E o pior, proveio uma perigosa provocação: em 2008, Bush convidou a Ucrânia para filiar-se à OTAN. Uma clara ameaça à Rússia, tratada, na prática,como um inimigo aos moldes da Guerra Fria.


A Rússia, como era de se esperar, manifestou ser tal iniciativa inaceitável. E começou a tentar negociações com as partes envolvidas para a solução do impasse. Nunca tendo uma resposta satisfatória para a suas demandas; ouvindo sempre a falácia de que a Ucrânia tem o direito de integrar a OTAN, como se os Estados Unidos, por sua vez, encarassem com naturalidade, sem resistência , um bloco militar, liderado pela Rússia, com a participação do México, Nicarágua, como exemplo, nas suas proximidades territoriais. Como se o mundo já tivesse esquecido a tremenda reação do imperialismo ianque quando Cuba tentava firmar um acordo militar com a União Soviética, em 1962. Uma reação com bloqueio naval.


Assim, achando-se cada vez mais cercada pelo avanço da OTAN, rumo a todas as suas fronteiras, Putin se ouviu obrigado ao que sempre buscou evitar , uma ação contra a Ucrânia; algo só aceitável num clima de autodefesa, contra uma ameaça crescente ao território e

soberania de um país.


Ressalte-se que sequer o governo Ucrânia, acenou para uma posição de neutralidade, seguindo o caminho da Finlândia. Preferiu obedecer aos Estados Unidos e outros neocolonialistas.


Do mais, há que se aprofundar o papel da OTAN nos dias de hoje. Fica cada vez mais evidente que seu propósito verdadeiro não era defender -se conta a URSS. Composta basicamente de velhas potências colonialistas, sua estratégia fundamental é outra: dominar à força recursos naturais,como petróleo e gás, mundo afora. E aí, enfraquecer a Russa, grande exportadora destes produtos, de que depende muito a Europa, tornou-se uma meta de fundo.

Ameaça a paz mundial com este intento.


Diga-se ainda que a Russa, ou a China, com todo o seu poderio bélico, não inventou nenhuma formação de bloco militar, preferindo ambas políticas de paz.


Claro, nem Rússia nem China são socialistas, defendem seu capitalismo. Disputam como outras potências as riquezas do mundo, mas nenhuma delas tem bases militares espalhadas no Planeta, para agredir países e se apropriarem de seus recursos básicos. Não têm organização criminosa, tipo Cia, em ação em qualquer parte do mundo, organizando golpes de estado e atentados à própria vida de governantes, a fim da defesa de seus interesses. Repita-se: não tem organização militar internacional, como a OTAN, para submeter nações e se apoderarem de seus meios naturais e outros.


O que explica por que a esquerda em geral, inclusive a socialista, consiga ter melhor relações com estas duas potências, vendo o direito de seus países à autodeterminação ser respeitado por elas. O que explica, por exemplo, a boa relação da Venezuela e Cuba com ambas, das quais vêm recebendo apoio.


Não foram a Rússia e a China a invadirem a Líbia, o Iraque,o Afeganistão, para se apossarem de seus recursos naturais. Foram, sim, as tais potências ocidentais, com a sua OTAN, seu instrumento maior, procurando ,cada vez mais, modernizar e sofisticar seu colonialismo e seu destacado meio de agressão. Sem esta lógica de velhos donos do mundo não ocorreria o que se dá na Ucrânia neste momento, que inquieta a própria humanidade.


E a paz mundial ficaria sem qualquer ameaça .


Alberto Souza - Ex-vereador em SBcampo, Sindicalística dos Petroleiros e militante dos Direitos Humanos.

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