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A COROAÇÃO DO REI E O CAPITALISMO


Alberto Souza ***



Século XVI, começa a surgir o capitalismo. Para isso, artesãos e camponeses foram transformados em proletários, a trabalharem para os donos do capital, para a indústria nascente.

Mas o capitalismo não pararia aí, in loco, mormente na Inglaterra, avançaria mundo afora, dominando povos, escravizando suas comunidades, apoderando-se de suas riquezas naturais; destacando-se o que fez com populações indígenas e, em particular, com a África, escravizando multidões de sua gente , tornando-as mercadorias de importação e revenda.

Assim, o capitalismo produto de duas escravidões, a dos índios e negros e a assalariada. Com o tempo, universalizando esta última , com a classe operária sendo obrigada trabalhar até 16 horas por dia para que o capital de cada burguês crescesse sem parar e capitalistas passassem a viver em mansões de mármores e palácios dourados. Um mundo de luxúrias às custas de suor e sangue vertidos em mercadorias.

Toda a classe operária produzindo para uma minoria de parasitas, a viverem do trabalho alheio.


A coroação do Rei da Inglaterra simboliza toda esta história de parasitismo e ostentação de uma classe, num luxúria de afrontar a própria humanidade, de zombaria de bilhões de humanos pisados, explorados e humilhados pelos donos de tudo. É a simbolização da lógica material e espiritual do capitalismo, da sua essência.


Diretamente é a classe operária inglesa a alimentar uma família monárquica e seus vícios de luxo, seu parasitismo; contudo, deve-se acrescentar a dominação de um império, de um imperialismo, que chegou a dominar cerca de 600 milhões de pessoas por todo o Planeta, transmutando seu sangue em palácios dourados , de parasitas enfeitados de ouro e diamantes.


Vendo ontem um rei , parecendo um ser de outro astro, tratado como Zeus, deus maior do Monte Olímpio, fora e dentro de carruagem dourada, num ambiente perolado, num quadro mundial de parte gigantesca da classe trabalhadora em situação de pobreza e misérias, com milhões dos seus morando em ruas e debaixo de pontes, com explorados sendo mortos por polícias do Estado e de grupos privados no campo e nas cidades , confesso que me choquei ao ver a burguesia usar todos os seus holofotes, mundialmente, para uma louvação planetária de talvez o maior símbolo de seu parasitismo.


Uma festa mundial da irracionalidade, do ridículo de uma classe, refletindo um momento histórico de pré-Razão.


Só os oprimidos , explorados, necessitados de mudar um mundo dominado por uma classe de parasitas , podem evitar a marcha da humanidade para a plena barbárie.


Fala-se, com certa naturalidade, da tal cultura de aceitação por parte da gente explorada da tal ideologia de dominação.


Que se faça a contracultura. É dever de todo socialista, comunista, humanista.

Se não fosse para combater o atraso, a ideologia do opressor incrustada no cérebro do explorado, não haveria necessidade da esquerda, do socialista, do revolucionário.


Alberto Souza - Professor de literatura e educador popular.

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