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1ª MARCHA DO MOVIMENTO NEGRO CONTRA O RACISMO E O FASCISMO EM SBCAMPO.



Dia 20 de novembro de 2022, um domingo ensolarado, com bastante calor, semelhante ao calor humano da luta dos/as participantes neste evento.

Por volta das 11 horas começaram a chegar a galera na Praça Santa Filomena, ao lado de uma pequena igreja e depois de alguns avisos e falas teve início das atividades sobre o dia da Consciência, relembrando o assassinato de Zumbi dos Palmares em 20 de novembro de 1695.

Alguns informes das lutas no carro de som, e simbolicamente foi feito uma grande roda na praça, onde de mãos dadas todos/as entoaram o canto das três raças, uma música na eternizada voz de Clara Nunes:


"Ninguém ouviu

Um soluçar de dor

No canto do Brasil

Um lamento triste

Sempre ecoou

Desde que o índio guerreiro

Foi pro cativeiro

E de lá cantou

Negro entoou

Um canto de revolta pelos ares

No Quilombo dos Palmares

Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes

Pela quebra das correntes

Nada adiantou

E de guerra em paz

De paz em guerra

Todo o povo dessa terra

Quando pode cantar

Canta de dor

Ô, ô, ô, ô, ô, ô

Ô, ô, ô, ô, ô, ô

Ô, ô, ô, ô, ô, ô

Ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia

É ensurdecedor

Ai, mas que agonia

O canto do trabalhador

Esse canto que devia

Ser um canto de alegria

Soa apenas

Como um soluçar de dor".


Uma espécie hino dos negros, índios e pobres no Brasil.


Depois da triste melodia, falou Zé Neguinho e outras pessoas do movimento negro e chamaram também o professor Aldo dos Santos para fazer uso da palavra.


O mesmo iniciou seu diálogo pedindo para que os presentes fizesse uma viagem no tempo, uma volta na história, tendo como referência o livro A ESCRAVIDÃO EM SÃO BERNARDO do sociólogo José de Souza Martins, que descreve a vida dos negros escravizados, por volta de 1700/1800 onde todos poderiam imaginar as fazendas dos Beneditinos em São Bernardo, as cerâmicas em São Caetano, onde dezenas de escravizados trabalhando nestas imensas terras dos escravagistas, bem como exercitavam as primeiras formas de resistências a chaga da escravidão.


Falou das dificuldades encontradas no poder legislativo da cidade, quando em 1989, na condição de vereador apresentou a propositura (processo 11266/89, projeto de lei do vereador Aldo dos Santos) que foi transformada em lei pelo prefeito Mauricio Soares (Lei municipal 33.83, de 29 de setembro de 1989, Instituindo a “Semana em homenagem a Consciência Negra” no município).


No artigo primeiro da lei diz : "Fica instituída a semana em homenagem à Consciência Negra”, a ser comemorada no município, anualmente na segunda quinzena do mês de novembro.


No parágrafo único do artigo primeiro estabelece que: O programa das atividades da “Semana em homenagem à consciência negra" SERÁ ESTABELECIDO PELOS PODERES PÚBLICOS MUNICIPAIS, COM A COLABORAÇÃO DOS MOVIMENTOS CULTURAIS DE SÃO BERNARDO DO CAMPO.

Informou ainda que protocolou na câmara municipal o projeto de lei 104/2001, instituindo o feriado municipal no dia 20 de novembro de cada ano, sendo o mesmo aprovado posteriormente na administração do prefeito Luiz Marinho com o apoio do Vereador José Ferreira e dos vereadores/as da cidade.


Apresentou ainda o projeto de capoeira nas escolas que foi rejeitado pelos vereadores reacionários do município, além do projeto museu do povo negro e a luta pelas cotas na faculdade de Direito da cidade.


“Fomos duramente achincalhados mas não baixamos a cabeça e lutamos para que se comemore atualmente o feriado municipal na cidade", mesmo diante de permanentes manobras de prefeitos preconceituosos.


Enalteceu fortemente a realização da tão sonhada marcha do movimento negro em nossa região.

Agora, precisamos que o Presidente Lula em comum acordo com o movimento negro viabilize o feriado Nacional no dia 20 de novembro de cada ano.


´Concluiu sua fala citando Ângela Davis, reafirmando ser fundamental a luta antirracista e classista:

Precisamos ser Antirracista/Leninista!

É preciso ser Antirracista/comunista!


Viva Zumbi dos Palmares e Dadara, e a luta de resistência da classe trabalhadora.


Após sua fala teve inicio a primeira marcha saindo da Praça Filomena até o Paço municipal da cidade,

Muita gente animada e convicta de que a vida é uma eterna luta e a luta por justiça e liberdade é o oxigeno e a vida do nosso povo.


Pouco antes de morrer Paulo Freire afirmou: “Eu morreria feliz se eu visse o Brasil cheio, em seu tempo histórico, de marchas. Marcha dos que não tem escolas, marcha dos reprovados, marcha dos que querem amar e não podem, marcha dos que se recusam a uma obediência servil, marcha dos que se rebelam, marcha dos que querem ser e estão proibidos de ser…”


Portanto, na condição de Freirianos, Marchar para o rumo certo é preciso!


Falas convergentes, divergentes e indiferentes a todo momento se colocava, mas todas falavam das lutas, das utopias e da convicção "de quem luta conquista!".



Com a sensação do dever cumprido e do chamado para a segunda marcha em 2023, uma foto conjunta selou a representação, a importância e o significado desta data, da história e da intervenção das pessoas de carne viva na construção efetiva e permanente da nossa história.


Para o abcdaluta



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