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É URGENTE A UNIDADE ANTI-IMPERIALISTA.



Por Aldo dos Santos***


A luta contra o imperialismo estadunidense na América Latina exige respostas rápidas e, acima de tudo, organizadas. Recentemente, acompanhei de forma remota as discussões da Plenária Nacional "Cuba Vive e Resiste". O espaço virtual reuniu dezenas de representantes de entidades sindicais e movimentos sociais para traçar avaliações e propostas concretas de solidariedade ao povo cubano.


O encontro ocorreu em um momento de forte carga simbólica: celebramos os 95 anos de Raúl Castro, referência histórica nas lutas de libertação da nossa América Latina, e manifestamos profunda indignação diante dos cinco meses do que consideramos invasão e sequestro político do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua companheira, Cilia Flores.


É no calor desse debate internacionalista, em que reafirmamos os laços com os povos irmãos, que trago a reflexão para a nossa realidade local: a região do grande ABC (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra).


O cenário local e a fragmentação das frentes

Na nossa região, debates cruciais ainda carecem de conclusão. Entre eles, a continuidade do Comitê Popular em Defesa da Venezuela no ABC e o desdobramento da importante atividade realizada pela subsede da APEOESP de São Bernardo do Campo. Na ocasião, o evento com o cônsul-geral de Cuba em São Paulo, Benigno Pérez, reuniu dezenas de militantes sob forte chuva, demonstrando o vigor da pauta solidária na região.


O Comitê de Solidariedade à Venezuela também realizou um ato expressivo em Santo André. Contudo, no mesmo dia da agenda com o cônsul cubano, a necessidade de redefinir os rumos do comitê contra o imperialismo voltou à tona.


Diante desse cenário, cabe uma provocação necessária: será que estamos respondendo à altura da gravidade do momento histórico?


A resposta é não — pelo menos enquanto continuarmos agindo de forma fragmentada. A história nos ensina que enfrentamos um ataque sistemático, organizado e agressivo do governo dos Estados Unidos contra a soberania dos povos latino-americanos e pelo mundo afora. Não podemos tratar o bloqueio econômico criminoso contra Cuba ou as sanções que asfixiam a Venezuela como problemas distantes. O próprio Brasil está na mira dessa mesma engrenagem de dominação. A soberania nacional, os direitos da classe trabalhadora e a autonomia do nosso país estão sob constante ameaça.


Por isso, defendo que é hora de darmos um passo adiante na nossa organização regional. Proponho unificar todas as nossas frentes e comitês sob uma única e coesa identidade política: o Comitê contra o Imperialismo Estadunidense.


Isso não significa apagar a história ou diminuir a dedicação histórica que temos com cada país e sua respectiva conjuntura. Trata-se de uma centralização estratégica. Continuaremos com grupos de trabalho específicos para Cuba e Venezuela, levando solidariedade concreta. Porém, sob um mesmo guarda-chuva político, explicitamos à sociedade que o inimigo estrutural é o mesmo.


O ABC Paulista, terra histórica das lutas operárias e berço de lideranças que transformaram parcialmente os rumos do Brasil, tem a obrigação de liderar esse exemplo de unidade. Ao unificarmos o discurso, ganhamos capilaridade e força para dialogar nas bases: nas fábricas, nas escolas, nos sindicatos, junto aos estudantes e nas periferias.


Precisamos explicar didaticamente à população que as forças que atacam Cuba e a Venezuela são as mesmas que tentam controlar o Brasil e retirar direitos dos trabalhadores brasileiros, confiscar nossas riquezas e ferir de morte nossa soberania. A luta internacionalista é indissociável da defesa da nossa própria pátria.


A nossa resposta não pode ser dispersa. A partir do ABC, nossa voz deve ser uníssona, nossa organização deve ser sólida e nossa resistência, inabalável. É hora de somar forças para que a denúncia ecoe mais alto e a defesa da soberania da América Latina seja vitoriosa.


Aldo dos Santos -Professor de Filosofia, Psicanalista, Ex-vereador em SBCampo, Diretor Estadual da APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).

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OS TEXTOS PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DOS AUTORES

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